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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Plano de exercícios para tendinites no punho


Aqui estão alguns exemplos de exercícios de reabilitação típicos para tendinites do punho.Comece cada exercício lentamente. Se começar a ter dor interrompa o plano.O seu médico ou fisioterapeuta irão dizer-lhe quando pode começar estes exercícios e quais deles irão funcionar melhor para si.Faça Download do pdf para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.

1. Flexão e extensão do punho



2. Prono-supinação do antebraço




3. Desvio cubital e radial do punho


4. Alongamento dos flexores do punho


5. Alongamento dos extensores do punho


Os cuidados de acompanhamento são uma parte fundamental do seu tratamento e segurança. Não deixe de comparecer a todos os tratamentos de fisioterapia agendados.

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sábado, 6 de junho de 2015

Plano de exercícios para tendinite do Aquiles

Aqui estão alguns exemplos de exercícios de reabilitação típicos para tendinite do Aquiles.
Comece cada exercício lentamente. Se começar a ter dor interrompa o plano.
O seu médico ou fisioterapeuta irão dizer-lhe quando pode começar estes exercícios e quais deles irão funcionar melhor para si.
Faça Download do pdf para impressão, já com a descrição escrita dos exercícios.
 

Alongamento do dedo do pé




Alongamento dos gémeos e fáscia plantar


Alongamento dos gémeos

Alongamento nos degraus


Os cuidados de acompanhamento são uma parte fundamental do seu tratamento e segurança. Não deixe de comparecer a todos os tratamentos de fisioterapia agendados.

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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Terapia manual no tratamento de uma tendinopatia peronial - estudo de caso clínico

A tendinopatia peronial é uma fonte incomum, e portanto pouco valorizada de dor e disfunção na face lateral no retropé que, com uma intervenção ineficaz, pode muitas vezes causar dor persistente e problemas funcionais.

Embora a patogénese da tendinopatia peronial não tenha sido bem estudada, outras tendinopatias foram, e as análises histológicas de tendões afetados identificaram quatro alterações predominantes, coletivamente denominadas hiperplasia angiofibroblastica: 
  1. Hipercelularidade e aumento da substância fundamental,
  2. Hiperplasia vascular ou neovascularização,
  3. Aumento da concentração de substâncias neuroquímicas
  4. Formação de colagénio desorganizado e imaturo.

A consistente ausência de células inflamatórias nos casos crónicos resultou no consenso geral atual de que este processo é de natureza degenerativa, apesar de uma componente inflamatória neurogénica poder existir.

Em relação ao tratamento da tendinopatia peronial existe pouca evidência científica. Alguns autores defendem o uso de cunhas na face lateral do calcanhar, no entanto, esta técnica de tratamento apresenta um problema, pois durante a marcha os tendões peroniais são recrutados sobretudo quando o calcanhar não está no chão. Outros defendem os exercícios excêntricos, que se têm revelado benéficos em casos de outras tendinopatias.

A terapia manual tem demonstrado resultados promissores em indivíduos com epicondilalgia lateral. Especificamente, os desvios laterais no cotovelo resultaram numa rápida redução da dor, melhoria da força de preensão sem dor e melhoria da função.

O objetivo deste estudo de caso é descrever a avaliação e tratamento de uma paciente com tendinopatia peronial, com ênfase na intervenção da terapia manual.

Apresentação de caso clínico

  • Paciente de 49 anos de idade, do sexo feminino, vista em agosto de 2010.
  • Referiu 15 meses de dor na face lateral no tornozelo esquerdo, que a impedia de realizar o seu exercício habitual: caminhar 3-5 quilómetros em terreno plano, 3x semana e realizar 30-45 min na elíptica 2x semana.
  • Na consulta a paciente relatou dor (6/10). No trabalho a dor aumentava quando tinha de fazer vários lanços de escadas durante o dia.
  • Também relatou rigidez generalizada em todo o tornozelo ao subir/descer escadas, com mais dificuldade a descer.
  • A história médica incluía uma fratura distal do perónio esquerdo (janeiro de 2009). Foi imobilizada por seis semanas com bota. Após isso fez três semanas de fisioterapia para retorno à actividade, embora nunca mais tenha recuperado a capacidade de sentar com o membro envolvido bem apoiado no chão devido à rigidez e amplitude de movimento limitada do seu tornozelo.
  • Em maio de 2009, começou a queixar-se do aumento da dor na face lateral do tornozelo e, posteriormente, foi diagnosticada com tendinopatia peronial.
  • Após dois meses de fisioterapia (programa de condicionamento e força geral) recebeu alta com menos dor e voltou à sua rotina de exercícios anterior.
  • No entanto, a dor nunca cessou completamente. Em janeiro de 2010, a dor piorou. Nesta altura tinha deixado a elíptica, mas continuou a andar com dor após 1,6Km, que começou com 1/10 e aumentou progressivamente para 6/10.
  • A ressonância magnética, em julho de 2010, não revelou resultados significativos.


Avaliação clínica

Foram administrados:
  • A escala de avaliação funcional dos membros inferiores (LEFS) para determinar o nível de dificuldade em várias tarefas funcionais.
  • A escala de Avaliação global da mudança (GROC) indicando mudanças percebidas no estado de saúde.
  • O NPRS para monitorizar a dor durante e entre os tratamentos de fisioterapia.
  • O teste de equilíbrio em estrela (SEBT)
  • Medição de amplitudes de dorsiflexão do calcanhar e dorsiflexão do calcanhar com o straight leg raise

Na observação notou-se leve atrofia dos gémeos esquerdos no membro acometido, sem edema ao longo do pé e face lateral do tornozelo.
Na avaliação da marcha revelou maior rotação para fora e pronação do médio-pé no membro envolvido, sobretudo na fase de propulsão, em comparação com o lado não envolvido.
A dor foi reproduzida pela palpação dos tendões peroniais, na região posterior ao maléolo lateral.
Os testes musculares manuais revelaram fraqueza peronial (4/5) sem dor. A inversão ativa e passiva também aumentaram a dor para 3/10.
Não havia sinais de lassidão ligamentar ou compressão do nervo por todo o pé e tornozelo.

Tratamento

  • Durante a avaliação inicial e a segunda visita, o tratamento foi direcionado para educar a paciente sobre o processo da sua doença.
  • Com base na avaliação clínica e no aumento da dor, foram aplicadas palmilhas no retopé e antepé do lado medial e lateral entre 3 e 6mm para descarga do tendão.
  • Além disso, foi feita mobilização articular talocrural de anterior para posterior até 75% da resistência (grau 4) como descrito por Maitland.
  • Foram aplicados alongamentos dos gémeos com o joelho estendido e dobrado, mantidos por 30-60segundos, 20 min/dia, 5x semana.
  • O reforço peronial foi realizado com theraband em 3x 15 repetições, 3x semana, em dias não consecutivos.



3ª Consulta
  • Um mês depois da avaliação inicial, ambos os resultados subjetivos e objetivos pioraram. A paciente atribuiu a um horário de trabalho ocupado.
  • Não estava a usar as palmilhas porque eram desconfortáveis.
  • Mediante isto, decidiu-se abandonar a palmilha e tentar uma técnica manual diferente:
  • Um deslizamento lateral do calcâneo até 50% da resistência (grau 3), como descrito por Maitland, foi realizado por 10 repetições. Imediatamente depois, a paciente realizou dez elevações unilaterais do calcanhar esquerdo livre de dor.
  • No final do tratamento a paciente conseguia deambular mais de 100 metros sem dor e o reforço peronial progrediu com o aumento da resistência.


Da 4ª à 7ª Consulta
  • Duas semanas após a terceira visita, a paciente estava a caminhar 30 min 3-4 vezes por semana, com dor, não superior a 3/10 e não teve dificuldade em avançar lanços de escadas.
  • É agora capaz de realizar 17 elevações unilaterais do calcanhar esquerdo antes da sua dor inicial aumentar. Não houve um aumento na dor com a marcha.
  • Foi realizado o desvio lateral do calcâneo como descrito acima, sem qualquer alteração na dor ou a capacidade de realizar elevações unilaterais.
  • A intervenção durante os tratamentos 4 a 7 teve como objetivo a progressão de resistência de fortalecimento peronial e mobilidade talocrural, como descrito acima.


Consulta 8
  • O último tratamento foi 3,5 meses após a avaliação inicial. O paciente relatou dor 0/10 e voltou à sua rotina de exercícios anteriores, sem problemas. Todas as medidas subjetivas e objetivas demonstraram melhoria.


Conclusões

  1. Nesta paciente com tendinopatia peroneal foram observadas melhorias significativas na função e dor depois de 8 consultas de avaliação e tratamento em fisioterapia. 
  2. Sendo interessante notar que as alterações não foram observadas até ter sido realizado um desvio lateral do calcâneo. O desvio lateral melhorou os sintomas e função, apesar do fato de não haverem restrições articulares específicas na articulação subtalar. Pensa-se que as mobilizações articulares alteram a dor através de mecanismos biomecânicos, químicos, medulares, e supra-medulares. Não é claro qual dos mecanismos acima mencionados, se houver, são mais influentes no presente caso. No entanto, de forma análoga, está descrito na literatura que um deslizamento lateral no cotovelo resulta numa rápida redução na dor, preensão livre de dor e melhoria da função em casos de epicondilalgia lateral do cotovelo.
  3. Os resultados deste estudo de caso devem ser interpretados com cautela, outras razões para a melhoria devem ser consideradas. Esta paciente também recebeu exercícios de fortalecimento peronial, juntamente com alongamentos.
  4. Apesar de não ser clara a preponderância de cada um dos tratamentos na melhoria da condição clínica da paciente os autores neste caso consideram uma combinação de intervenção com terapia manual e exercício terapêutico essencial para o tratamento desta paciente.



Hensley CP, Kavchak AJ. Novel use of a manual therapy technique and management of a patient with peroneal tendinopathy: a case report. Man Ther. 2012 Feb;17(1):84-8.




segunda-feira, 10 de junho de 2013

Tendinopatia na inserção proximal dos isquio-tibiais

Os isquiotibiais são o conjunto de músculos localizado na face posterior da coxa. Este grupo muscular é composto por três músculos:
  • Bicípite femoral
  • Semi-membranoso
  • Semi-tendinoso

Estes músculos têm origem comum na tuberosidade isquiática (saliência óssea palpável atrás da coxa, a meio da prega glútea) e vêm inserir-se na face posterior da tíbia, próximo ao joelho.
No seu conjunto, são responsáveis por estender a coxa e dobrar o joelho. A sua acção é importante para manter a perna estendida enquanto o peso do corpo passa para a outra perna durante a marcha ou a corrida.
A tendinopatia na inserção proximal dos isquio-tibiais é uma lesão de sobreuso causada por pequenas lesões (conhecidas como microrupturas) associadas ao uso excessivo do tendão. Se, depois de cada microruptura, não for dado tempo de recuperação suficiente, o tendão não se restabelece na totalidade. Isto significa que ao longo do tempo, os danos no tendão vão-se acumulando, podendo dar origem a uma tendinopatia na inserção proximal dos isquio-tibiais.
Estas lesões são mais frequentes no tendão do longo adutor, próximo à sua inserção na pélvis. Em alguns casos, a inflamação pode alastrar-se à sinfíse púbica e à inserção dos abdominais.
Caso continue a forçar em demasiado este grupo muscular, mesmo após os primeiros sintomas, existe a possibilidade de a condição evoluir para uma ruptura da unidade músculo-tendão dos isquio-tibiais, tornando o prognóstico de recuperação bastante pior.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor e sensibilidade na tuberosidade isquiática que é agravada quando se aplica pressão sobre o osso (por exemplo, na posição sentada)
  • Dor no alongamento dos isquiotibiais.
  • Dor ao flexionar o joelho contra resistência.
  • Início gradual da dor após esforços físicos, como o da corrida.
  • Poderá ocasionalmente irradiar para baixo na parte posterior da coxa.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento da anca, coxa e costas são necessários para ajudar a diagnosticar uma tendinopatia na inserção proximal dos isquio-tibiais. No entanto, pela semelhança de sintomas com a bursite isquio-glútea e, muitas vezes, com a dor ciática, o médico deverá pedir exames adicionais, como ecografias e raio-X ou RM à anca e à coluna lombar de forma a confirmar o diagnóstico.

Tratamento

O tratamento deverá incluir:
  • Descanso: Evite as actividades que originaram a dor. Por norma são aconselhados 5 dias de repouso até recomeçar com alguma actividade física suave.
  • Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente. Deve ser utilizado apenas na fase inflamatória (os primeiros 2-3dias)
  • Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.

O tratamento em fisioterapia é fundamental para a boa recuperação do tendão, que pode demorar até 6 meses numa lesão crónica, e deve envolver:
  • Alongamentos suaves dos músculos isquio-tibiais são muito importantes e deverão ser repetidos 3 a 5 vezes por dia. Poderão ser iniciados após o 2º dia, desde que não provoquem dor.
  • Exercícios de fortalecimento muscular progressivo do quadricípite, glúteos e principalmente dos isquio-tibiais. Iniciar entre o 3º e o 5º dia com exercícios estáticos, e, desde que não cause dor, progredir para exercícios dinâmicos.
  • Aplicação de calor antes dos exercícios para aumentar a irrigação sanguínea e de gelo no final para prevenir sinais inflamatórios.
  • Massagem transversal profunda em dias alternados poderá estimular a reorganização das fibras do tendão. É fundamental ter a certeza de que a bolsa isquio-glútea não está também afectada, pois nesse caso este tipo de massagem é contra-indicado.
  • Na última fase do tratamento deve ser introduzida a reeducação do gesto desportivo. 
  • Assim que não tiver dor ou inchaço e tiver uma amplitude de movimento e força iguais em ambos os membros inferiores poderá reiniciar a sua actividade. 

É natural que nos primeiros dias sinta desconforto na região da nádega e por trás da coxa no final do treino/trabalho, no entanto, se os sintomas não tiverem passado no dia seguinte, deve reduzir a intensidade da actividade.
Depois da reintrodução à actividade alguns alongamentos e exercícios de fortalecimento devem ser mantidos para prevenir recidivas.
Tratamento Cirúrgico
É tido como um último recurso, em parte por existir pouca evidência convincente para apoiar o uso da cirurgia em vez do tratamento conservador. A cirurgia consiste na remoção da área afectada do tendão, ou na execução de pequenos cortes nas laterais do tendão, com o intuito de diminuir a tensão sobre o seu terço médio.
Um programa intensivo de reabilitação é normalmente recomendado após a cirurgia. A utilização de exercícios de fortalecimento muscular excêntrico pode ajudar a estimular a recuperação do tendão.

Exercícios terapêuticos para as tendinopatias na origem dos isquio-tibiais

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma tendinopatia na inserção proximal dos isquio-tibiais. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Alongamento activo da cadeia posterior
Deitado, com um elástico na ponta do pé, com a coxa e joelho dobrados a 90o. Mantenha a tensão no elástico enquanto estica o mais possível o joelho, puxado a ponta do pé para si. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


  

Alongamento activo dos isquio-tibiais
Em pé, com o calcanhar apoiado numa mesa e as costas alinhadas. Faça pressão sobre o joelho e incline o tronco ligeiramente à frente. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.

  

 


Extensão resistida da anca
Em pé, apoiado numa cadeira, com um elástico à volta do tornozelo. Com a perna esticada e costas alinhadas, puxe o elástico para trás. Volte lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Cross MJ, Vandersluis R, Wood D, Banff M. Surgical repair of chronic complete hamstring tendon rupture in the adult patient. Am J Sports Med. 1998 Nov-Dec;26(6):785-8.


terça-feira, 21 de maio de 2013

Síndrome de compressão anterior do nervo peronial - estudo de caso clínico


Este estudo de caso surge no contexto da observação clínica do autor, que identificou muitas vezes ao longo dos anos um conjunto de sintomas (síndrome) dolorosos no joelho replicado em vários indivíduos, e confundido frequentemente com a tendinopatia do rotuliano.

O autor propõe que esta nova síndrome deve ser considerada como uma entidade própria, havendo a necessidade de um diagnóstico diferencial específico desta condição clínica.

De seguida apresenta um dos casos clínicos revistos, assim como a proposta e justificação para o diagnóstico diferencial, e a sugestão de tratamento.

Apresentação do Caso Clínico

  • Um jovem de 28 anos, carpinteiro.
  • Veio a consulta por dor no tendão rotuliano.
  • Não foi referido por médico.
  • A dor, embora não fosse grave o suficiente para o impedir de trabalhar, praticar desporto ou fazer as suas atividades diárias, era muito irritante para o paciente
  • Começou há um ano, sem qualquer trauma, ao subir umas escadas, e localiza-se no bordo lateral e proximal do tendão rotuliano
  • Neste caso específico, não foi relatada nenhuma outra dor.
Observou-se no exame físico:
  • Aumento do tónus do músculo peroneal
  • Restrição da neurodinâmica nervo peroneal (Butler, 2005)
  • Subluxação dorsal do osso cubóide, tal como descrito por Mooney e Maffey-Ward (1994).

O tratamento inicial consistiu em:
  • Uma manipulação no sentido plantar do cubóide.

  • Não foi sentida hipomobilidade ou hipermobilidade após a manipulação.
  • Os testes de neurodinâmica estavam agora simétricos em ambas as pernas.
  • Mas ainda havia um ligeiro aumento do tónus dos músculos peroniais. Portanto, o paciente aprendeu a alongar os músculos peroniais.
  • Imediatamente após o tratamento, o paciente não sentia qualquer dor a subir as escadas.
  • A conversa telefónica com o paciente, 3 meses mais tarde, revelou que ele tinha ficado livre de dor após o tratamento.

Quando há dor normalmente associada a um diagnóstico provisório de tendinopatia rotuliana, e se verifica uma melhoria imediata e mantida após esta manipulação torna o diagnóstico de tendinopatia rotuliana menos provável. Em contraste, a síndrome de compressão anterior do nervo peronial, tal como apresentada no presente caso, é o diagnóstico mais provável.

Apresentação típica deste tipo de paciente

  • Quando consultado por um médico, o paciente geralmente apresenta-se com um diagnóstico de tendinite, tendinose, ou tendinopatia rotuliana.
  • A dor é geralmente descrita como uma sensação de queimação localizada sobre a face lateral tendão rotuliano, às vezes irradiando para os músculos peroniais.
  • Os sintomas são geralmente intermitentes e agravados por atividades físicas, principalmente ao correr e, por vezes, subir e descer escadas.
  • O alongamento em flexão plantar com inversão também pode agravar os sintomas.
  • O paciente pode ter tentado outros regimes de tratamento, incluindo anti-inflamatórios não-esteróides, exercícios de fortalecimento excêntrico, terapia de ultra-som e massagem de fricção transversal, mas obtêm apenas uma melhoria temporária e limitada.
  • Finalmente, não há geralmente perda de sensação ou parestesia.


Embora um pouco de dor possa ser reproduzida por palpação noutros lugares ao redor do bordo lateral da inserção proximal do tendão rotuliano a dor associada a esta síndrome é sempre reprodutível precisamente nessa área específica, por palpação.
Esta parece ser a característica mais saliente. Em contrapartida, no caso da tendinopatia rotuliana, a dor não é especificamente desencadeada por palpação do aspecto lateral do tendão.
O médico vai notar um tónus muscular aumentado no compartimento lateral a perna.
Normalmente a neurodinâmica (Butler, 2000) do nervo peronial encontra-se alterada.
Não há nenhuma sensação ou perda motora, reflexos osteotendinosos estão normais, os testes ligamentares e meniscais estão também normais, eversão resistida e flexão plantar sobrepressão são, por vezes, dolorosos
Os resultados dos movimentos acessórios irão revelar uma das seguintes opções: 
  • Subluxação tibioperonial superior 
  • Subluxação tibioperonial inferior 
  • Subluxação do cubóide sem direção preferencial de subluxação.

No geral, a articulação tibioperonial inferior parece ser a menos frequentemente afetada.

Assim, nesta síndrome temos sempre uma tríade de sintomas:
  1. Um ponto doloroso exacto, bordo lateral da inserção proximal do tendão rotuliano,
  2. Hipertonicidade muscular peronial,
  3. Algum grau de subluxação tibioperonial ou do cubóide, baseado na avaliação de movimentos acessórios e testes fisiológicos passivos descritos por Maitland e Kaltenborn.

Tratamento

  • O tratamento inicial consiste numa manipulação de alta velocidade de pouca amplitude da articulação subluxada, reavaliando a mobilidade articular após manipulação. O tónus muscular peronial será sempre menor após uma manipulação com sucesso.
  • Se houver dor ao caminhar ou subir escadas, o efeito é geralmente imediato, e a atividade será agora indo
  • lor ou subjetivamente muito melhor. A manipulação do cubóide e articulações tibioperoniais estão descritas na literatura referenciada.
  • Se o movimento ultrapassar os limites anatómicos após a manipulação normal, então deve ser aplicada ligadura com tape de suporte.
  • Exercícios de neurodinâmica também são ensinados ao paciente para garantir a mobilidade normal das estruturas neurais.
O foco nas próximas sessões do tratamento será restaurar a mobilidade normal articular, tónus muscular peronial normal, neurodinâmica normal, e eliminar qualquer dor residual no tendão rotuliano.
Normalmente, tudo já está normalizado na segunda visita. No entanto, mobilização articular, exercícios de alongamento muscular e neurodinâmico podem ainda ser necessários.

Geralmente, o tratamento é altamente eficaz, mas se houver dor persistente mesmo depois do tratamento descrito em seguida, existe a possibilidade de haver uma tendinopatia real. O regime de tratamento deve, então, ser alterado em conformidade, sendo fundamental o fortalecimento excêntrico do quadricípite.

Conclusão

Após uma nova síndrome de dor ter sido descrita, bem como uma proposta de tratamento, e a razão do diagnóstico diferencial para tendinopatia rotuliana, muitos entusiastas de desporto poderão beneficiar com este diagnóstico. 

Se identificada corretamente, o tratamento pode ser direcionado para as estruturas corretas com as modalidades de tratamento adequadas, que garantam aos pacientes um rápido retorno às suas ocupações anteriores, sem dor e sem tratamentos indevidos.

Investigações futuras devem envolver outros fisioterapeutas testando a tríade de sintomas proposta dentro de um grupo de pacientes diagnosticados com tendinopatia rotuliana, a fim de identificar que percentagem desses pacientes corresponde os critérios apresentados neste trabalho, bem como a eficácia relativa da proposta de tratamento, em comparação com um grupo de controlo, que tornem possível constatar a existência da síndrome sugerida.


Rousseau E. The anterior recurrent peroneal nerve entrapment syndrome: A patellar tendinopathy differential diagnosis case report. Man Ther. 2012 Oct 24.


terça-feira, 30 de abril de 2013

Tendinopatia do tibial posterior


O tendão tibial posterior serve como uma das principais estruturas de suporte do pé, ajudando-o a funcionar correctamente durante a caminhada. A tendinopatia do tendão tibial posterior é uma lesão causada por alterações no tendão, prejudicando sua capacidade de suportar o arco plantar, provocando um pé plano.
As tendinopatias do tibial posterior são também chamadas de "pé plano adquirido do adulto" porque é o tipo mais comum de pé plano desenvolvido durante a vida adulta. Embora esta condição geralmente ocorra em apenas um , algumas pessoas podem desenvolvê-la em ambos os pés. Esta lesão é geralmente progressiva, o que significa que segue a piorar, principalmente se não for tratada precocemente.
O uso excessivo do tendão é a causa mais frequente desta lesão. Os sintomas geralmente ocorrem após actividades como corrida, caminhada, trekking, ou subir escadas.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Os sintomas podem incluir dor, inchaço, um achatamento do arco plantar, e uma rotação interna do tornozelo.
Conforme a doença progride, os sintomas vão mudando. Por exemplo, numa fase inicial, há dor na parte interna do pé e tornozelo (ao longo do trajecto do tendão). Além disso, a área pode estar vermelha, quente e inchada. Mais tarde, como o arco começa a ficar mais plano, ainda pode haver dor na parte interna do pé e tornozelo. Mas nesta fase o pé e os dedos começam a virar para fora e no tornozelo roda para dentro.
Quando a lesão se torna mais avançada, o arco plantar fica ainda mais plano e a dor muitas vezes desloca-se para a parte externa do pé, abaixo do tornozelo. Durante todo este processo o tendão deteriorou-se consideravelmente e a artrite do tornozelo é frequente nestes casos.
Uma boa avaliação clínica, com perguntas sobre os sintomas, a causa da lesão e um exame ao tendão são geralmente suficientes para o diagnóstico. Uma ecografia ou uma ressonância magnética pode ser útil, se o diagnóstico não for claro.

Tratamento

Devido à natureza progressiva da tendinopatia do tibial posterior, o tratamento precoce é recomendado. Se for atempado, o tratamento conservador pode evitar a necessidade de cirurgia e travar a progressão da lesão, dando as condições para a recuperação do tendão.
Numa fase inicial o tratamento conservador pode incluir:
  • Imobilização. Evitar completamente qualquer peso sobre o pé durante um determinado período de tempo. Por vezes, uma tala ou bota gessada são usadas para imobilizar o pé e permitir que o tendão recupere.
  • Gelo. Uma massagem com um cubo de gelo directamente sobre o tendão afectado durante 5 a 10 minutos pode ser mais efectiva do que a aplicação de gelo estático.
  • Aplicação de ultra-sons na zona do tendão alivia a dor e os sinais inflamatórios
  • Medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), como o ibuprofeno, ajudam a reduzir a dor e a inflamação.

Numa fase mais avançada, em que os sinais inflamatórios são praticamente inexistentes, as técnicas mais utilizadas são:
  • Exercícios de fortalecimento e alongamento podem ajudar a reabilitar o tendão e o músculo após a imobilização.
  • Aparelhos ortopédicos ou ortoteses. Para dar o apoio necessário ao arco plantar.
  • Adaptação do calçado e uso de palmilhas. Pode ser aconselhado o uso de palmilhas para suporte do arco plantar.
  • Aplicação de ligaduras funcionais durante o período de retorno à actividade.


Exercícios terapêuticos para tendinopatias do tibial posterior

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma tendinopatia do tibial posterior. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Flexão/extensão do pé
Deitado, com o calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé e dedos para si, depois empurre pé e dedos para baixo.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 




Alongamento dos gémeos
De pé, com as mãos ao nível dos ombros apoiadas na parede. Colocar a perna a alongar esticada e atrás, dobrar à frente o joelho da outra perna, com as costas alinhadas. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Propriocepção do tornozelo
Em pé, apoiado na perna lesada e com esse joelho ligeiramente dobrado. Tente manter o equilíbrio sem apoiar os braços e olhando em frente. Mantenha esta posição entre 15 a 30 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Bowring B, Chockalingam N. Conservative treatment of tibialis posterior tendon dysfunction--a review. Foot (Edinb). 2010 Mar;20(1):18-26.