quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Protocolo de fisioterapia para uma artroplastia total da anca

Após uma artroplastia total da anca as complicações pós-cirúrgicas mais comuns podem incluir:
  • Edema
  • Dor
  • Diminuição do movimento
  • Alterações da força e do controlo muscular
  • Desequilíbrio
  • Diminuição da propriocepção

Estas complicações, juntamente com quaisquer outras específicas do paciente, devem ser incluídas na lista de problemas inicial, desenvolvida pelo fisioterapeuta. As metas devem ser desenvolvidas para tratar de cada deficiência, melhorando o nível de independência e de qualidade de vida do paciente.

Na Fase aguda
Um paciente que experimenta uma artroplastia simples da anca deverá ficar no hospital 2-3 dias, nos quais já fará fisioterapia, incluindo levante e mobilizações.
O cirurgião irá instrui-lo sobre as precauções comuns após a cirurgia. As três principais são:
  • Não flexionar a anca para além dos 90o.
  • Não rodar internamente a anca, manter os dedos do pé alinhados para a frente
  • Não aduzir a anca; nunca cruzar a linha média, como cruzar as pernas

Para um paciente que se recupera de uma artroplastia total da anca o número esperado de visitas ao fisioterapeuta é entre 12 e 60. Este protocolo afirma que aproximadamente 80% dos pacientes irá atingir todas as metas previstas, dentro do limite de 60 sessões de tratamento. Estas 60 consultas são por um período de tratamento contínuo com a frequência e duração a serem decididas pelo fisioterapeuta.

Protocolo de fisioterapia


O protocolo listado abaixo foi desenvolvido pelo The Brigham and Women's Hospital Department of Rehabilitation Services. Este protocolo é dividido em quatro fases: aguda, de movimento, intermédia, fortalecimento avançado e nível superior de funcionalidade. Cada protocolo deve ser moldado para atender às necessidades de cada paciente cumprindo com todas as precauções.

Fase aguda (1-4 dias)
As metas para esta fase são:
  • Educar sobre as precauções nas actividades do dia-a-dia
  • Aumentar a independência com tarefas funcionais
  • Prevenir ou reduzir as complicações pós-operatórias

Fase de movimento (1-6 semanas)
Esta fase inclui exercícios terapêuticos e modalidades, conforme necessário.
Os objetivos desta fase são:
  • Fortalecimento muscular da anca operada
  • Treino proprioceptivo para melhorar a consciência corporal para o treinamento funcional
  • Treino de resistência para aumentar a aptidão cardiovascular
  • Treino de marcha; descontinuar os auxiliares de marcha aproximadamente às 4-6 semanas, quando não houver sinais de uma marcha antálgica ou sinal de Trendelenburg.
  • Aumento da amplitude de movimento
  • Aumento da força muscular
  • Retorno às atividades funcionais

Exercícios terapêuticos:
Semanas 1 a 4
  • Mobilização ativa-assistida e ativa de todos os movimentos da anca
  • Exercícios isométricos de quadricipite, isquiotibiais e glúteos
  • Treino de equilíbrio: transferências de peso e atividades em cadeia cinética fechada
  • Treino de marcha
  • Bicicleta estática, na semana 3-4 se permitido pelo médico

          Semanas 4 a 6
  • Acrescentar: exercícios no step, frontal e lateral.
  • Exercício straight leg raise
  • Agachamento e agachamento com uma perna à frente
  • Se possível programa aquático

Critérios para progressão:
  • Amplitude de movimento ativo entre 0-110o
  • Bom controlo voluntário de quadricipite
  • Deambulação independente por 250 metros sem auxiliares de marcha, sem alterações da marcha ou dor


Fase Intermédia (semanas 7-12)
As metas para esta fase são:
  • Boa força muscular de todos os músculos do membro inferior operado
  • Retorno às atividades funcionais e participação em atividades recreativas leves

         Exercícios terapêuticos:
  • Progredir aumentando a resistência dos exercícios da fase de movimento
  • Avaliar a estabilidade do tronco e membro inferior e desenvolver exercícios de cadeia cinética aberta e fechada conforme necessário para atender às necessidades de cada paciente
  • Iniciar programa de resistência (piscina ou a pé)
  • Iniciar treino de propriocepção e equilíbrio adequado à idade

Critérios para progressão:
  • Força máxima (4+/5) em toda a musculatura do membro inferior operado
  • Mínima ou nenhuma queixa de dor e inchaço


Fortalecimento avançado e nível superior de funcionalidade (semana 12-16)
Os objetivos desta fase são:
  • Voltar totalmente para as atividades recreativas que sejam apropriadas
  • Aumentar a força, resistência e propriocepção

         Exercícios terapêuticos:
  • Continuar a progressão dos exercícios anteriores
  • Aumentar a duração das atividades de resistência
  • Implementar atividades que envolvam tarefas de carregar, empurrar e puxar
  • Retorno às atividades recreativas específicas (golfe, ténis, caminhada, ciclismo…)
  • Retorno ao trabalho se for caso disso

Critérios de alta:
  • Marcha independente e não dolorosa
  • Subir escadas de forma alternada
  • Amplitude de movimento completa e livre de dor
  • Força 4+/5 em todos os músculos do membro inferior
  • Propriocepção e equilíbrio apropriados à idade
  • Realizar de forma correta e independente o programa de exercícios para casa

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2 comentários:

Maria Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria Lima disse...

Parabéns pelo belíssimo trabalho e pelo blog, João!
Muito bom mesmo!

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