segunda-feira, 6 de maio de 2013

Síndrome de compartimento anterior

A síndrome de compartimento é uma condição dolorosa que ocorre quando a pressão dentro da bainha que envolve cada músculo aumenta, diminuindo assim o fluxo sanguíneo, o que impede a nutrição e oxigenação das células musculares e do nervo.
A síndrome de compartimento anterior surge quando o músculo na parte externa da canela (o tibial anterior) começa a sofrer maior pressão devido a um edema contido na bainha que o rodeia.
As síndromes do compartimento podem ser agudas ou crónicas.
  • A síndrome do compartimento aguda é considerada uma emergência médica, e está geralmente associada a ferimentos graves, como fracturas da tíbia. Sem tratamento, esta lesão pode levar a lesões musculares e nervosas permanentes.
  • A síndrome do compartimento crónica, também conhecida como síndrome do compartimento de esforço, não é geralmente uma emergência médica. É mais frequentemente causada por esforço associado à prática desportiva, e surge algumas horas após o exercício, em resultado da inflamação causada pelo esforço muscular excessivo.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Na síndrome do compartimento anterior aguda
  • Uma dor aguda no músculo do lado de fora da perna, geralmente como resultado de um impacto directo.
  • Diminuição de força muscular ao puxar o para cima contra resistência.
  • Inchaço e sensibilidade na região do músculo tibial anterior.
  • Dor quando o e os dedos são dobrados para baixo.

Na síndrome do compartimento anterior crónica
  • Dor que aumenta durante o exercício, podendo chegar a impossibilitar a corrida.
  • Dor alivia depois de um breve descanso, mas volta durante o exercício.
  • Dificuldade em levantar os dedos dos pés e dos pés para cima.
  • Dor ao puxar para baixo os dedos e pés.

Se apresentar os sintomas de uma síndrome do compartimento anterior aguda deve dirigir-se imediatamente a um serviço de emergência médica. No casos das síndromes do compartimento crónicas uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento da perna são geralmente suficientes para o diagnostico. Um raio-X ou ecografia podem ser pedidos para descartar uma fractura de stress da tíbia ou uma tendinite. Quando a pressão dentro do compartimento muscular aumenta poderá causar tracção sobre o periósteo (anel ao redor do osso), que pode levar a uma condição chamada canelite.

Tratamento

           O tratamento em fisioterapia, consiste em controlar os sinais inflamatórios, reduzir a dor e aumentar a funcionalidade, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé durante longos períodos pode significar um agravamento da sua lesão. Repouse entre 2 a 5 dias da actividade que provocou os sintomas.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: uma meia elástica pode ser usada para controlar o inchaço.
Elevação: A perna deve ser elevada um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
Massagem de drenagem do membro inferior
Exercícios de mobilização activa do pé em elevação e natação poderão ajudar à recuperação das fibras musculares
Se o paciente apresenta uma história de síndrome de compartimento crónica, que não se resolve com tratamento conservador, que provoca uma pressão no compartimento superior a 30 mmHg 1 minuto após o inicio do exercício ou que apresenta um defeito na fáscia (bainha) do músculo. A cirurgia poderá ser considerada.
A fasciotomia é a cirurgia para esta síndrome, e consiste num procedimento simples que divide a fáscia longitudinalmente ao longo de todo o comprimento do compartimento envolvido. Ou seja, um corte é feito ao longo do comprimento da bainha dos músculos para permitir que a pressão que está a ser aplicada ao músculo diminua. Logo após a cirurgia é aplicada uma ligadura compressiva. 
O paciente pode precisar usar canadianas por alguns dias. Exercícios de mobilidade activa e passiva devem ser começados de imediato. Assim que a cicatriz tenha fechado, caminhadas e ciclismo são incentivados. A corrida só deve ser retomada pelo menos seis semanas após a cirurgia.
A recuperação completa pode demorar até três meses.

Exercícios terapêuticos para a síndrome de compartimento anterior

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação da síndrome de compartimento anterior. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

Alongamento do compartimento anterior da perna
Ajoelhado, com um rolo no peito dos pés e as costas alinhadas. Baixe o máximo possível a bacia de encontro aos calcanhares. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 Alongamento activo da cadeia posterior
Deitado, com um elástico na ponta do pé, com a coxa e joelho dobrados a 90o. Mantenha a tensão no elástico enquanto estica o mais possível o joelho, puxado a ponta do pé para si. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Reforço muscular dos gémeos
Em pé, apoiado numa cadeira, coloque-se em pontas dos pés. Desça lentamente até todo o pé apoiar no chão. Repita este movimentos entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Tzortziou V, Maffulli N, Padhiar N. Diagnosis and management of chronic exertional compartment syndrome (CECS) in the United Kingdom. Clin J Sport Med. 2006 May;16(3):209-13.
Wittstein J, Moorman CT, 3rd, Levin LS. Endoscopic compartment release for chronic exertional compartment syndrome: surgical technique and results. Am J Sports Med. 2010 Aug;38(8):1661-6.

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