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domingo, 30 de novembro de 2014

Diagnóstico Diferencial para lesões do labrum (SLAP) no ombro

Em torno do bordo externo da cavidade glenóide do ombro existe um aro de tecido forte e fibroso chamado labrum. O labrum glenóideo contribui para aprofundar a cavidade e estabilizar a articulação do ombro. Para além disso serve como ponto de fixação para muitos dos ligamentos do ombro, bem como o tendão da cabeça longa do músculo bíceps.

O termo SLAP significa Superior Labrum tear Anterior to Posterior, ou seja, a parte superior do labrum é “arrancada” da sua inserção. O tendão do bíceps pode também estar afectado.

Etiologia


As SLAP podem ser causadas por trauma agudo ou por movimento repetitivo ombro. Uma SLAP aguda pode resultar de: 
  • Um acidente de automóvel
  • A queda sobre o braço estendido
  • Tentar pegar um objeto pesado
  • Movimento rápido ou forte do braço quando ele está acima do nível do ombro
  • Luxação do ombro

Atletas que usam recorrentemente movimentos de arremesso acima da linha da cabeça ou levantamento de pesos correm maior risco de sofrerem SLAP como resultado de movimentos repetidos do ombro. A teoria mais recente sugere que quando o ombro é colocado numa posição de abdução e rotação externa máxima, observa-se uma torção na inserção do bíceps, força essa que é então transmitida ao labrum, ocorrendo a SLAP.

Muitas SLAP, no entanto, são o resultado de um desgaste do labrum que ocorre lentamente com o tempo. Em pacientes com mais de 40 anos de idade isto pode ser visto como um processo normal de envelhecimento.

Sintomas


Pacientes com esta lesão normalmente têm várias queixas muito semelhantes. Geralmente, o paciente apresenta-se com uma história inespecífica de:
  • Dor na face anterior do ombro associada a
  • sensações de cliques/estalidos nos movimentos de elevação, embora em alguns casos, possa haver uma história de uma lesão traumática.
  • 50% dos que são atletas relatam uma perda de velocidade e precisão do lançamento além de mal-estar geral do ombro.
  • os pacientes mais velhos podem queixar-se de fraqueza generalizada do ombro os
  • pacientes mais jovens são mais propensos a apresentar sintomas de instabilidade.
  • Além dessas reclamações, muitos atletas podem desenvolver uma perda de rotação interna da glenoumeral, com um aumento subsequente da rotação externa como uma adaptação às exigências do seu desporto. Isto permite o aumento da velocidade, mas também predispõe a patologia do labrum com base no mecanismo de lesão descrito acima.

 Diagnóstico


Relativamente ao diagnóstico das SLAP, este está longe de ser um processo fácil ou simples, mas existem aspectos que podem ser usados para melhorar a probabilidade de um diagnóstico preciso. As características dos pacientes são de extrema importância (p.ex. atletas com queixa de diminuição da velocidade de arremesso, dor na face anterior do ombro, e a presença de limitação da rotação interna).

Para além disso, revisões recentes da literatura revelaram que o muito utilizado teste de O’brien apresenta resultados muito pobres no diagnóstico diferencial destas lesões, comparativamente a outros testes mais recentes, como o teste de compressão passiva (Sn = 0,82, Sp = 0,86, + LR = 5,9, -LR = 0,09) (um teste de compressão passiva negativo resulta numa quase certa ausência de qualquer lesão SLAP), o teste de distracção passiva (Sn = 0,53, Sp = 0,94, + LR = 8,8), e o teste de cisalhamento labral dinâmico modificado (Sn = 0,72, SP = 0,98, + LR = 36,0).
Passive compression test: examiner standing behind patient, stabilising the affected shoulder by holding the acromioclavicular (AC) joint with one hand and the elbow with the other. The examiner externally rotates the shoulder in 30° of abduction and then pushes the arm proximally while extending the shoulder. Confirmatory findings: pain or a painful click in the glenohumeral joint.
Passive distraction test: examiner standing on the affected side of the patient and positions the extremity off the edge of the table, into 150° elevation in the coronal plane, the elbow extended, the forearm supinated, and the upper arm stabilised to prevent humeral rotation. The examiner pronates the forearm while maintaining steady position of the humerus. Confirmatory findings: pain reported deep inside the glenohumeral joint either anteriorly or posteriorly.



Finalmente, deve também notar-se que as lesões SLAP são raramente uma condição isolada. Andrews et al relataram que 45% dos pacientes com lesões SLAP tinha também ruturas parciais do supra-espinhoso.

Isto indica que, só porque uma outra patologia mais comum é diagnosticada, não significa que a lesão SLAP pode ser descartada. Deve ser executado um exame completo, que envolva os melhores testes para o diagnóstico diferencial desta lesão.

Bibliografia:


Schlechter JA, Summa S, Rubin BD. The passive distraction test: a new diagnostic aid for clinically significant superior labral pathology. Arthroscopy. 2009 Dec;25(12):1374-9.

Kim YS, Kim JM, Ha KY, Choy S, Joo MW, Chung YG. The passive compression test: a new clinical test for superior labral tears of the shoulder. Am J Sports Med. 2007 Sep;35(9):1489-94. 

Jobe CM. Posterior superior glenoid impingement: expanded spectrum. Arthroscopy. 1995 Oct;11(5):530-6.

Shepard MF, Dugas JR, Zeng N, Andrews JR. Differences in the ultimate strength of the biceps anchor and the generation of type II superior labral anterior posterior lesions in a cadaveric model. Am J Sports Med. 2004 Jul-Aug;32(5):1197-201.



domingo, 31 de agosto de 2014

Espasticidade

A espasticidade é uma desordem motora caracterizada por um aumento dependente da velocidade dos reflexos de estiramento tónico (tónus muscular) com movimentos bruscos exagerados do tendão, resultantes da hiperexcitabilidade do reflexo de estiramento, como um componente de uma síndrome do neurónio motor superior.

A espasticidade está associada a condições como a paralisia cerebral, a esclerose múltipla, lesões vertebro-medulares e acidentes vasculares cerebrais.

Este tipo de danos no SNC altera a inibição dos nervos periféricos na região afectada. Esta mudança tende a favorecer a excitação e, portanto, aumentar a excitabilidade nervosa. Ao mesmo tempo, estes danos também fazem com que as membranas das células nervosas repousem num estado mais despolarizado.

A combinação da inibição diminuída e aumento do estado despolarizado de membranas aumenta a actividade de estruturas enervadas pelos nervos afectados. Assim, os músculos afectados têm outras potenciais alterações de desempenho em adição à espasticidade, incluindo fraqueza muscular; diminuição do controlo do movimento; clonus; reflexos profundos exagerados; e diminuição da resistência.

Problemas associados que surgem ou se agravam devido à espasticidade são, por exemplo, amplitude de movimento limitada, posturas anormais que podem produzir dor, capacidade funcional diminuída, distúrbios estéticos ou de higiene.

Procedimentos Diagnósticos


Escala Ashworth:
A escala Ashworth é o instrumento de avaliação mais utilizado para medir a resistência ao movimento de um membro, embora seja incapaz de distinguir entre os componentes neurais e não-neurais do aumento do tónus.

A escala Ashworth:
  • 0 Não se observa aumento do tónus muscular
  • 1 Ligeiro aumento no tónus quando o membro é movido
  • 2 Mais acentuado aumento no tónus, mas o membro facilmente deslocado
  • 3 Aumento considerável no tónus - movimento passivo torna-se difícil
  • 4 O membro encontra-se rígido em flexão ou extensão
Como a espasticidade pode variar de uma condição neurológica para outra e até mesmo de um paciente para outro com a mesma condição, foram sendo desenvolvidas escalas de medição da espasticidade específicas para diversas doenças.

Por exemplo, para a população com esclerose múltipla (The Multiple Sclerosis Society Spasticity Scale, MSSS-88). Esta escala com 88 itens não só avalia os sintomas de espasticidade, como também incorpora a experiência da pessoa e como a espasticidade afeta a sua vida diária.

Tratamento


  • Treino de força de resistência progressiva: não existem provas de que o treino de força aumenta a espasticidade em pacientes com acidente vascular cerebral. Por outro lado o comprometimento osteomuscular nos membros com espasticidade é reduzido significativamente após o treino de força de resistência.
  • Biofeedback combinado com estimulação elétrica funcional e terapia ocupacional demonstrou uma maior redução da espasticidade em comparação com pacientes que realizaram estimulação elétrica funcional e terapia ocupacional isoladamente.
  • A terapia por ondas de choque dos músculos flexores do antebraço em hipertonia em pacientes com acidente vascular cerebral demonstrou redução significativa do tónus muscular (> 3 meses de tratamento).
  • Redução significativa de espasticidade dos flexores plantares do tornozelo em pacientes com acidente vascular cerebral após quinze sessões de 10 minutos de terapia de ultra-som contínuo durante um período de 5 semanas (1MHz frequência e intensidade de 1,5 W/cm2).
  • Crioterapia, usando compressas frias (12 °C) por 20 minutos, pode reduzir a temperatura muscular, reduzindo assim a espasticidade.
  • Estimulação elétrica: a estimulação do músculo agonista apresentou melhorias significativas nos resultados da escala de Ashworth. A estimulação do antagonista demonstrou um aumento do ângulo de iniciação do reflexo de estiramento.


Nestes casos o tratamento precoce é fundamental para evitar ou reduzir as complicações graves associadas a este fenómeno.


Morris SL, Dodd KJ, Morris ME. Outcomes of progressive resistance strength training following stroke: a systematic review. Clin Rehabil. 2004 Feb;18(1):27-39.
Lourenção MI, Battistella LR, de Brito CM, Tsukimoto GR, Miyazaki MH. Effect of biofeedback accompanying occupational therapy and functional electrical stimulation in hemiplegic patients. Int J Rehabil Res. 2008 Mar;31(1):33-41
Manganotti P, Amelio E. Long-term effect of shock wave therapy on upper limb hypertonia in patients affected by stroke. Stroke. 2005 Sep;36(9):1967-71. Epub 2005 Aug 18.
Amelio E, Manganotti P.Effect of shock wave stimulation on hypertonic plantar flexor muscles in patients with cerebral palsy: a placebo-controlled study. J Rehabil Med. 2010 Apr;42(4):339-43.(B)
Ansari NN, Adelmanesh F, Naghdi S, Tabtabaei A.The effect of physiotherapeutic ultrasound on muscle spasticity in patients with hemiplegia: a pilot study. Electromyogr Clin Neurophysiol. 2006 Jul-Aug;46(4):247-52.(B)
Ansari NN, Naghdi S, Bagheri H, Ghassabi H. Therapeutic ultrasound in the treatment of ankle plantarflexor spasticity in a unilateral stroke population: a randomized, single-blind, placebo-controlled trial. Electromyogr Clin Neurophysiol. 2007 May-Jun;47(3):137-43. (B)
Van der Salm A, Veltink PH, Ijzerman MJ, Groothuis-Oudshoorn KC, Nene AV, Hermens HJ. Comparison of electric stimulation methods for reduction of triceps surae spasticity in spinal cord injury. Arch Phys Med Rehabil. 2006 Feb;87(2):222-8.


Agora dispomos de um serviço de reabilitação prestado por fisioterapeutas especializados nesta patologia. Clique aqui para saber mais.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Estudo comparativo da pressão e índices de simetria entre almofadas para cadeiras de rodas

As pessoas com deficiência física necessitam de mais apoio postural do que uma cadeira ou cadeira de rodas comum proporciona. Para conseguir isso, as cadeiras de rodas utilizadas por pessoas portadoras de deficiência necessitam de modificações específicas.

Segundo estudos de Thyberg e col, 87% dos pacientes em cadeira de rodas refere que o sistema de assento é o elemento mais importante na cadeira. A almofada do assento proporciona benefícios muito para além do conforto, incluindo a gestão de pressão e de posicionamento que pode reduzir a fadiga e melhorar o equilíbrio sentado durante todo o dia, diminuindo o risco de ulceras de pressão.

As almofadas de assento para cadeira de rodas são geralmente cheias com água, espuma, gel ou ar, embora mais recentemente tem vindo a aumentar a utilização de uma combinação desses componentes. Em relação às características da pressão, os componentes que apresentam melhores resultados são o ar, o gel e a espuma, por esta ordem.

Assim, neste estudo foi desenvolvido um assento de ar ajustável revestido a espuma, que em seguida foi comparado, em relação a pressão e simetria de posicionamento, com uma almofada de espuma, das mais comuns no mercado recente, e à superfície dura de uma cadeira.

A almofada de ar recém-desenvolvida (OK Meditech, Coreia) é feita de espuma de uretano e tem pequenos buracos de ar de modo a que o ar possa entrar e sair da almofada. A espuma de uretano funciona como filtro de ar, para quando o indivíduo se sentar, o ar se mover para fora da almofada de forma à almofada se adaptar ao corpo do sujeito.

De acordo com a análise dos resultados, não houve diferenças significativas entre as pressões médias sobre as almofadas, mas o índice de simetria da almofada de ar recentemente desenvolvida, o qual pode ser controlado por pressão de ar, é mais próximo de 0. O intervalo do índice de simetria é de 0 a 100, em que o 0 significa que a pressão em ambos os lados do corpo é a mesma.


Conclui-se que a utilização combinada de ar e espuma parece apresentar vantagens significativas em relação aos produtos actualmente mais utilizados. Uma das limitações deste estudo tem a ver com não ter sido realizado com verdadeiros utilizadores de cadeiras de rodas, pelo que deverá ser replicado nesta população específica e com períodos de utilização do equipamento mais prolongados.



Won-Jin, et al., A comparison of the average sitting pressures and symmetry indexes between air-adjustable and foam cushions. J Phys Ther Sci 25 (2013) 1185-87

Outros artigos sobre lesão vertebro-medular:

A lesão vertebro-medular, dar a volta por cima!

domingo, 3 de novembro de 2013

Programa de fortalecimento global para um jogador de golf pós cirurgia da coifa dos rotadores

Quando um jogador está afastado por uma lesão musculoesquelética, podem ocorrer decréscimos no seu desempenho devido ao tempo de treino perdido e uma diminuição na sua condição física. O mesmo acontece depois de uma cirurgia, que também pode limitar a participação desportiva ao exigir que o jogador complete um período prolongado de reabilitação.

Vários estudos indicam sugestões de tratamento para orientar a reabilitação de golfistas lesionados. Estas recomendações clínicas incluem a prescrição de exercícios de resistência e treino de força, exercícios de flexibilidade e pliométricos.

Apesar das recomendações de reabilitação clínica publicadas, que demonstram o retorno bem-sucedido ao desporto após a cirurgia, há uma escassez de literatura específica sobre o caso dos golfistas.

O objetivo deste estudo de caso é descrever um programa de retorno ao desporto pós cirurgia para reconstrução de uma rutura da coifa dos rotadores numa golfista amadora.

Apresentação de caso clínico


  • Uma mulher, 67anos (mão direita dominante, altura 1,59 m, 87,54 kg), lesionou o ombro direito 11 meses antes da sua participação neste programa de treino para retorno ao golfe.
  • Essa lesão tinha sido resultado de uma queda. A TC revelou uma fratura cominutiva da omoplata direita envolvendo tanto os aspectos superior e inferior da cavidade glenóide. Como a fractura foi considerada estável o ortopedista prescreveu imobilização com sling.
  • Na consulta seguinte, a paciente relatou incapacidade de elevar ativamente o braço, apesar da boa cicatrização do local da fratura. A RM revelou uma ruptura total da coifa dos rotadores com maior incidência no supraespinhoso e longa porção do tendão do bicípite. Assim, 2 meses depois da lesão foi realizada uma artroscopia para tenodese dos tendões afetdos.
  • Começou a fisioterapia 5 semanas após a cirurgia. Após 3 meses de fisioterapia ela demonstrou flexão e abdução do ombro completas, 60º de rotação externa do ombro, força 5/5 do supra-espinhoso e rotadores internos, e 4/5 dos rotadores externos. Recebeu alta pelo médico sete meses após a cirurgia, sem restrições de atividade.
  • 11 meses após a cirurgia, a paciente candidatou-se a participar numa investigação sobre condicionamento físico no golf. A pesquisa foi aprovada pelo Conselho de Revisão da Pacific University Institutional.
  • Os testes funcionais que foram administrados foram escolhidos pela sua capacidade de identificar a potência do membro superior e resistência muscular do tronco.
 


  • A força dos membros superiores foi avaliada por meio de testes musculares manuais tradicionais. O único défice encontrado foi na rotação externa, bilateral, com 4+/5.
  • Amplitude de movimento passivo foi de 110º de rotação externa e 61º de rotação interna à esquerda e 92º de rotação externa e 65º de rotação interna à direita.
  • Por ser uma situação pós-cirúrgica, foi aplicada a Constant-Murley Shoulder Outcome Assessment (pelo menos 80 identifica um ombro funcional e saudável). A paciente obteve 78, o que indica uma ligeira limitação.


Tratamento


  • Foi realizado um programa de treino de 8 semanas (de 60 minutos de treino supervisionado 1x/semana).
  • O programa de treino consistiu em exercícios para aumentar a força do ombro e pernas, exercícios para melhorar a resistência muscular do tronco e exercícios para aumentar a potência.
  • A paciente foi instruída a fazer caminhadas diárias para a parte aeróbica do treino.
  • O desempenho em cada exercício foi avaliado após cada treino, revendo o número de repetições e séries, para aumentar ou diminuir a carga de treino com base na capacidade de completar o volume total de treino.



     

     

     

     

Resultados



  • Após a conclusão das 8 semanas de treino os testes para a capacidade de resistência e de energia muscular foram repetidos.
  • A paciente relatou que tinha voltado a jogar golf, pela primeira vez desde a lesão inicial, uma semana após ter terminado o programa de condicionamento físico para golfistas.


  • Além dos ensaios acima referidos, foi feita uma análise computadorizada do swing de golfe da paciente (P3ProSwing Virtual Golf Simulator e o Golf Swing Analyzer) no final do programa de treino.


Conclusão


No final do programa de treino a cliente foi capaz de demonstrar algumas melhorias na resistência e potência muscular e foi capaz de retornar ao desporto.
Apesar dos resultados positivos descritos para este sujeito, existem limitações e outros componentes de treino e prescrição do exercício devem ser considerados no futuro.




Jason Brumitt, Erik P Meira, Hui En Gilpin, Meredith Brunette. Comprehensive strength training program for a recreational senior golfer 11-months after a rotator cuff repair. International journal of sports physical therapy 12/2011; 6(4):343-56.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Teste de Apley

Descrição
O teste de Appley é usado para avaliar pacientes com suspeita de lesão nos meniscos do joelho. O diagnóstico deste tipo de lesões meniscais pode ser difícil por os meniscos serem avasculares e não terem suprimento nervoso nos seus dois terços internos, resultando em muito pouca dor ou inchaço quando ocorre uma lesão.
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Técnica
Colocar o paciente em decúbito ventral, com o joelho flexionado a 90º. O examinador  roda então a tíbia lateral e medialmente, combinando este movimento primeiro com distração e depois com compressão. Se a rotação acrescida de distracção é mais dolorosa ou mostra amplitude de rotação aumentada em relação ao normal para aquele joelho (testar joelho contralateral), a lesão é provavelmente ligamentosa. Se a rotação acrescida de compressão é mais dolorosa ou mostra rotação diminuída em relação ao normal, a lesão é provavelmente no menisco.
 

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 Sensibilidade e fiabilidade
Num estudo prospectivo comparando os sintomas dolorosos pré-operatórios na interlinha articular do joelho com as descobertas de lesões meniscais efectivas por artroscopia nesse joelho, a sensibilidade deste teste foi entre 86% e 92%, com uma taxa de precisão global de 74% a 96% para o menisco medial e lateral, respectivamente.



Scholten RJ, Deville WL, Opstelten W, Bijl D, van der Plas CG, Bouter LM. The accuracy of physical diagnostic tests for meniscal lesions Assessing of the knee: a meta-analysis. J Fam Pract. 2001, 50:938-944.
Hegedus EJ, Cook C, Hasselblad V, Goode A, McCrory DC. Physical examination tests for Assessing the torn meniscus in the knee: a systematic review with meta-analysis. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy, 2007, 37 (9), 541-50.



Outros testes ao joelho

quarta-feira, 13 de março de 2013

Teste de Kim

Descrição
Este teste é utilizado na deteção de uma lesão da região posterior do labrum glenoideu.
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Técnica
  1. Com o paciente em posição sentada, com o braço 90º de abdução, o examinador segura o cotovelo e face lateral do braço, aplicando força no sentido axial.
  2. Após o braço ser elevado mais 45º na diagonal para cima, é aplicada força para baixo e para trás.
  3. Um início súbito de dor na região posterior do ombro indica um resultado positivo, independentemente de ser acompanhada de clank posterior da cabeça do úmero.
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Testes combinados
A sensibilidade do teste de Kim para a deteção de uma lesão da região posterior do labrum glenoideu foi de 80%, e a especificidade de 94%.
A precisão do Teste de Jerk na detecção de uma de instabilidade póstero-inferior do ombro foi a seguinte: sensibilidade de 73%, especificidade de 98%.
Neste estudo o teste de Kim foi mais sensível na detecção de uma lesão do labrum, predominantemente inferior, enquanto que o teste de Jerk foi mais sensível na detecção de uma lesão do labrum, predominantemente posterior. A sensibilidade para a detecção de uma lesão posteroinferior do labrum aumentou para 97% quando estes dois testes foram combinados.



Outros testes ao ombro


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Luxação da articulação acromioclavicular


A articulação acromioclavicular é formada pela extremidade externa da clavícula e pelo acrómio (processo ósseo que se projecta para a frente a partir da parte superior da cintura escapular e palpável na parte mais alta do ombro).
Os dois ossos são unidos directamente pelo ligamento acromioclavicular. Existem outros dois ligamentos importantes para a estabilidade desta articulação: o ligamento coracoclavicular, que une a clavícula ao processo coracóide; e o ligamento coracoacromial, que une o acrómio ao processo coracóide e é muito importante para manter a correcta posição da cabeça do úmero durante os movimentos de elevação a mais de 90o.
As lesões nas articulações acromioclaviculares são comuns e muitas vezes observadas após quedas de bicicleta, em desportos de contacto e em acidentes de carro. Dependendo da gravidade da lesão, a pessoa pode romper um ou todos os ligamentos. As rupturas mais graves poderão levar a uma separação da articulação e a uma deformação facilmente visível.
Lesões da articulação acromioclavicular são o achado mais comum nas consultas médicas após uma lesão traumática no ombro (a luxação do ombro é a segunda mais comum), e os homens entre os 20-40 anos são os mais afectados. A maioria das lesões envolve rupturas incompletas dos ligamentos.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Imediatamente após a lesão sentirá sensibilidade e inchaço generalizados do ombro. No entanto, à medida que a dor vai diminuindo, poderá transformar-se num ponto específico sobre a articulação que apresente sensibilidade e dor ao toque e em determinados movimentos.
Poderá observar-se um abaulamento ou proeminência significativa da extremidade distal da clavícula.
Muitas pessoas têm dor nocturna e acordam por causa da dor quando rodam para o lado do ombro afectado.
Raramente, o paciente relata estalos ou prisão da articulação acromioclavicular.
As lesões da acromioclavicular podem são classificadas de 1-6, utilizando a escala de Rockwood, dependendo da extensão da lesão no ligamento e do espaço entre o acrómio e a clavícula.
  • Grau 1 equivalem a um estiramento simples da articulação, 
  • Grau 2 envolve a ruptura do ligamento acromioclavicular, 
  • Grau 3 envolve a ruptura dos três ligamentos da articulação e que geralmente resulta num deslocamento superior da clavícula. Deste ponto em diante, a escala e o grau de lesão depende do grau de deslocamento da clavícula. 
  • Grau 4 envolve deslocamento superior e posterior, 
  • Grau 5 envolve um deslocamento superior, 3-5 vezes maior que o normal espaço coracoclavicular. Nos graus 3, 4 e 5 a extremidade da clavícula estará bastante mais saliente. 
  • No grau 6, acontece o contrário, a saliência da clavícula desaparece em consequência da ruptura de ligamentos e do deslocamento inferior deste osso.
Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do ombro, é geralmente suficiente para diagnosticar uma luxação da acromioclavicular. No entanto exames adicionais, como raio-x poderão ser pedidos para avaliar o grau da lesão. Uma RM pode ser necessária se houver suspeita de comprometimento dos nervos do plexo braquial.

Tratamento

          A maioria das luxações de grau 1, 2 e 3 da acromioclavicular não necessitam de cirurgia e respondem bem ao tratamento adequado de fisioterapia. A maioria das pessoas se recuperar totalmente, sem quaisquer problemas, no entanto sobrecarga atletas e operários podem ter sintomas persistentes e requerem cirurgia. O tratamento inclui:
Descanso: repouse de todas as actividades que causam dor. Principalmente de actividades que envolvam elevação do braço ou levantamento de pesos.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.
         O seu fisioterapeuta poderá aplicar uma ligadura com tape para estabilizar e dar suporte à articulação.
         Assim que a dor permita (geralmente entre 7-14 dias após a lesão) deve iniciar um plano de exercícios com o objectivo de restaurar a mobilidade articular do ombro, e de reeducar o normal funcionamento das articulações do ombro.
      Gradualmente deverão ser introduzidos exercícios de fortalecimento muscular da região do ombro, preferencialmente em posições de estabilidade da articulação (abaixo dos 90o, em rotação externa, com o braço ligeiramente afastado do tronco).
A cirurgia é indicada para algumas luxações de grau 3 e para todas as luxações de grau 4,5 e 6. Nestas ultimas a clavícula deve ser realinhada pelo ortopedista e sob anestesia, seguida de fixação cirúrgica com placa e parafusos.
Para algumas luxações de grau 3 ou para pacientes que ainda apresentem dor e limitação funcional 3-6 meses após a lesão, é geralmente indicada a artroscopia para remoção do tecido lesado combinada com a descompressão do espaço subacromial.

Exercícios terapêuticos para as luxações da acromioclavicular

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma luxação da acromioclavicular. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.

Adução das omoplatas
Em pé ou sentado, com os cotovelos dobrados. Puxe os ombros e cotovelos para trás e para baixo. Mantenha a posição durante 8 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 




 

Fortalecimento dos adutores da omoplata
De joelhos ou em pé, com ombros e costas alinhados e cotovelos a 90o. Puxe os cotovelos para trás mantendo a posição dos ombros. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma



Mobilização da cintura escapular
Em pé, com as costas alinhadas e o ombro posicionado para baixo e para trás. Vá subindo com a mão pela parede, ao mesmo tempo mantenha a posição do ombro, em baixo e para trás.
Repita 15 a 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.