terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Da investigação à prática clínica, como vai a fisioterapia em Portugal.


Entrevista com:
Prof. Doutor Fernando Ribeiro

P.: O que acha da realidade da investigação em fisioterapia em Portugal?
R.: Os últimos anos têm sido profícuos no que respeita à produção científica na área da Fisioterapia em Portugal. Uma pesquisa rápida, por exemplo, na Pubmed permite localizar vários trabalhos de investigação realizados nesta área em Portugal ou em parcerias internacionais. De facto, temos hoje um número muito razoável de fisioterapeutas que regularmente publicam em revistas internacionais, com excelente fator de impacto, o produto da sua investigação. Na minha opinião, felizmente a produção de conhecimento nesta área continuará a crescer nos próximos anos na exata medida em que o número de fisioterapeutas com grau de doutor também crescerá.

P.: Para o doente nem sempre é fácil a decisão de aceitar fazer parte de uma investigação, sobretudo porque se trata da sua saúde, as dúvidas e receios são sempre redobrados. O que pode dizer aos nossos leitores que estejam nessa situação? 
Posso dizer que na investigação existe um conjunto de regras e princípios éticos que devem ser sempre observados e respeitados. Os projetos de investigação têm que ser aprovados por uma comissão de ética que é um garante da observância e promoção de padrões éticos em todas as etapas do processo científico. Para além disso, todos os projetos de investigação a envolver seres humanos devem incluir um Consentimento Informado e todas as dúvidas deverão ser esclarecidas pelo investigador. Deixe-me dar-lhe alguns exemplos: quando se solicita a participação num projeto de investigação para além das informações sobre o projeto, devem ser descritos os desconfortos e riscos prováveis, inclusivamente o tempo de duração previsto para o envolvimento do voluntário no estudo; devem ser apresentados os benefícios que podem ser esperados com a realização do projeto; devem ser esclarecidas as alternativas que existem para a sua situação clínica; deve ser assegurado que o voluntário tem o direito de não participar ou de se retirar do estudo, a qualquer momento, sem que isto represente qualquer tipo de prejuízo no seu tratamento presente ou futuro; devem ser dadas garantias de confidencialidade e privacidade às informações recolhidas; etc..... Inclusivamente as formas de ressarcimento das despesas decorrentes da participação no projeto, caso existirem, devem ser explicitadas (por exemplo, despesas de deslocação).

P.: Para terminar, algum novo projeto de investigação na calha? Ou sugestão de temas que pensa serem interessantes investigar no futuro?
R.: Presentemente, temos em curso alguns projetos financiados na área da reabilitação cardíaca e do papel do exercício terapêutico na regeneração endotelial. Temos também a firme convicção de continuar com os trabalhos que temos realizado sobre os determinantes da propriocepção articular.
A definição de temas interessantes é complexa, depende de vários fatores inclusivamente da motivação intrínseca do investigador. No entanto, não podemos ignorar que existem áreas/temas mais suscetíveis de receberem financiamento do que outras e que este também é um fator a pesar na altura de definir áreas/projetos/linhas de investigação.


Prof. Doutor Fernando Ribeiro

Docente no Instituto Politécnico de Saúde do Norte, CESPU, crl e Investigador no Centro de Investigação em Atividade Física, Saúde e Lazer da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

Fernando Ribeiro é Licenciado em Fisioterapia, Mestre em Ciências do Desporto especialização em Atividade Física para a 3ª Idade, tendo realizado o seu Doutoramento em Atividade Física e Saúde, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto com investigação na área da reabilitação cardíaca. É atualmente investigador responsável/participante de vários projetos de investigação financiados pela FCT e QREN e pelo CITS. É revisor de várias revistas cientifica nacionais e internacionais. Desde 2007, publicou 33 artigos científicos em coautoria e 1 editorial a convite em revista com revisão entre pares, 39 resumos em revistas indexadas/atas de congressos, 2 capítulos de livros internacionais e de 61 comunicações (poster ou orais) em congressos nacionais e internacionais.  Tem experiência de ensino em cursos de pré e pós-graduação.

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