domingo, 30 de dezembro de 2012

Espondilólise e espondilolistese


A espondilolistese é um termo médico utilizado para descrever o deslizamento anormal de uma vértebra em relação à vértebra que se posiciona imediatamente abaixo desta. Este deslizamento acontece quando a parte posterior da coluna lombar (onde se forma o canal medular) perde a sua integridade, permitindo o deslizamento anormal de uma vértebra sobre a outra, que geralmente se dá no sentido anterior (anterolistese) mas também poderá acontecer no sentido posterior (retrolistese).
À perda de integridade do arco posterior da coluna dá-se o nome de espindolólise, e esta é a principal causa da espondilolistese. A espondilólise é muito comum e, como na maioria dos casos é assintomática, muitas vezes é identificada por acaso, num exame de imagem direccionado a outro problema. No entanto, à medida que esta se desenvolve, o tecido fibroso que liga o centro da vértebra ao arco dorsal vai-se tornando mais fraco. Condições como pequenos traumatismos ou mesmo ficar de pé muito tempo podem provocar ainda mais fragilidade, que por sua vez leva à instabilidade das vértebras lombares, resultando por fim numa espondilolistese verdadeira.
A incidência de espondilólise é 3-6% na população em geral. A prevalência é maior nos adolescentes com doença de Scheuermann, atletas e ginastas (até 12%), e jovens do sexo feminino. O risco da espondilólise progredir para uma espondilolistese é de cerca de 4-5%, e esta é mais comum entre as vértebras L4-L5 e L5-S1.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor na lombar, que piora com a actividade e pode ter associada compressão da raiz nervosa, levando irradiação da dor e dor ciática.
  • Alterações sensoriais decorrentes da compressão do nervo.
  • Atrofia muscular dos glúteos.
  • Nos casos mais graves, pode observar-se alteração dos esfíncteres anal e uretral, devido à compressão da cauda equina.
  • As crianças e adolescentes costumam ter postura anormal (aumento da lordose lombar) e uma forma característica de caminhar.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame da anca, lombar e sacroiliaca, exame neurológico e postural são necessários para ajudar ao diagnóstico de uma espondilolistese. A confirmação do diagnóstico muitas vezes começa com um raio-X à coluna lombar, no entanto, a ressonância magnética (RM) é o principal meio de diagnóstico, pois permite visualizar a articulação, nervos e estruturas adjacentes em detalhe.

Tratamento

O tratamento conservador é usualmente indicado quando o deslizamento equivale a menos de 50% do tamanho do corpo vertebral e em que os sintomas neurológicos não existem ou são reduzidos. O tratamento inicial deve incluir:
  • Repouso, evitando movimentos como o de elevação, flexão para a frente com os joelhos esticados e todos os desportos.
  • O seu médico poderá prescrever medicamentos anti-inflamatórios para controlar a infecção e diminuir a dor
  • Uma infiltração com cortico-esteróides pode ser aplicada por um ortopedista, sobretudo se o paciente apresentar dor pela perna ou dormência.
  • Poderá ser usada uma cinta de suporte lombar para evitar o movimento excessivo entre as vértebras. Assim que os sintomas aliviarem a cinta deve ser progressivamente retirada.
  • Exercícios de correcção postural, e fortalecimento dos músculos abdominais profundos para promover a estabilização da coluna vertebral e a redução da dor
  • Fazer exercício na bicicleta estática pode ser benéfico, pois promove a flexão da coluna, evitando uma lordose exagerada, e não implica impactos sobre a coluna, como a corrida ou desportos de contacto.

Quando o deslizamento é maior que 50% do tamanho da vértebra e os sintomas neurológicos afectam a qualidade de vida a cirurgia será o tratamento mais adequado. As vértebras afectadas são fixadas às vértebras adjacentes, que estejam normalmente alinhadas. Geralmente o disco intervertebral também é removido. Apesar de terem bons resultados a longo prazo, principalmente em jovens atletas, este tipo de cirurgias é complexo e pode levar a possíveis complicações, como pseudartrose, compressão nervosa ou pé pendente, a decisão de se submeter a cirurgia deverá ser bem ponderada e todas as opções de tratamento não cirúrgico deverão ter sido tentadas anteriormente.

Exercícios terapêuticos para a espondilolise e espondilolistese

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação, por tratamento conservador, de uma espondilolise/espondilolistese. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Posição de congruência das facetas articulares
Deitado, apoie-se nos cotovelos. Mantenha a posição durante 30 a 90 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 2 a 4 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



 

Rotação da coluna lombar
Deitado, com os joelhos dobrados e os braços ao longo do corpo. Rode ambas as pernas para um lado, depois para o outro.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 Fortalecimento do transverso do abdómen
Deitado, com o elástico à volta da cintura. Pressionar o fundo das costas contra o chão e tentar diminuir o diâmetro da cintura. Mantenha a contracção durante 8 segundos. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Kalichman L, Hunter DJ. Diagnosis and conservative management of degenerative lumbar spondylolisthesis. Eur Spine J. 2008 Mar;17(3):327-35.
Cohen SP, Raja SN. Pathogenesis, diagnosis, and treatment of lumbar zygapophysial (facet) joint pain. Anesthesiology. 2007 Mar;106(3):591-614

3 comentários:

Vanessa dallegrave disse...

Bom dia
Meu nome é Vanessa, tenho 36 anos e tenho espondilolistese grau 2. Desde criança eu era atleta e não sei o real motivo de ter esse problema.
Há 13 anos fui proibida de praticar o surf e jiu jitsu. Com isso, tive muito aumento de peso, enfraquecimento dos músculos e dificuldade de alongamento.
Há um ano iniciei re educação alimentar e agora dentro do meu peso gostaria muitooooo de voltar as atividades. Porém fui liberada com cautela por 2 ortopedistas que consultei, mas contradiz oque os fisioterapeutas me falam. Eles alegam que irá piorar minha listese se eu fortalecer abdômen e não seria bom eu voltar a praticar nenhuma das duas modalidades.
E agora??? Como devo fazer para fortalecer os músculos sem me prejudicar? Não posso mesmo fortalecer abdômen????? Me ajudem, por favor!!!! Obrigada.
E-mail: nessinhadallegrave@gmail.com

Janaina Ferreira disse...

Boa noite! Vanessa dallegrave, sua duvida também é a minha. Qual tipo de exercícios podemos fazer, porque os ortopedistas me disseram que nem caminhada posso fazer..

Janaina Ferreira disse...

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