quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Fracturas do tornozelo


Apesar de pensarmos no tornozelo como uma única articulação, ele é na verdade constituído por duas articulações. Uma superior, em que articulam o perónio pela parte externa do tornozelo, a tíbia na parte interna do tornozelo e o talus (astrágalo) debaixo deles. E outra inferior, constituída pelo tálus acima e pelo calcâneo (osso do calcanhar) abaixo. Em conjunto são responsáveis pelos movimentos de flexão/extensão e inclinação para fora/dentro do pé, respectivamente.
Existem vários tipos de fractura do tornozelo, que variam em gravidade, localização e tipo de tratamento:

Weber Tipo A: fracturas localizadas abaixo da linha média do tornozelo.
Weber tipo A1 - fractura isolada do maléolo lateral (perónio)
Weber tipo A2 - há também uma fractura do maléolo medial (tíbia)
Weber tipo A3 - há também uma fractura posteromedial (astrágalo)
O mecanismo de lesão é a rotação interna (inversão) e adução. Se se tratar de uma fractura por avulsão do perónio, sem lesão medial, em que se manteve o alinhamento entre os topos ósseos poderá ser tratada apenas com imobilização gessada (4-8 semanas). Fracturas com deslocamento ósseo ou com lesão medial têm indicação cirúrgica, para aplicação de material de fixação.

Weber Tipo B: fracturas localizadas na linha média do tornozelo
Weber tipo B1 - fractura isolada do maléolo lateral
Weber tipo B2 - há também uma lesão medial (fractura do maléolo medial ou lesão do ligamento deltóide)
Weber tipo B3 - há também uma lesão medial e uma fractura posterolateral da tíbia
O mecanismo de lesão é a rotação externa (eversão) com um pé virado para fora. Estas fracturas podem ser instáveis. Fracturas Weber tipo B estáveis podem ter indicação para o tratamento conservador, no entanto a maioria tem indicação cirúrgica.

Weber Tipo C: fracturas localizadas acima da linha média do tornozelo
Weber Tipo C1 - há uma fractura simples da diáfise do perónio
Weber Tipo C2 - há uma fractura complexa diafisária do perónio
Weber tipo C3 - há uma fractura proximal do perónio
Mecanismo de lesão é a adução ou abdução do pé combinada com rotação externa (eversão). Estas fracturas são geralmente instáveis, exigindo intervenção cirúrgica.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • A dor intensa no local da fractura, que em alguns casos, pode estender-se até ao joelho
  • Significativo edema, que se pode estender pela perna ou ser mais localizado
  • Flictenas (bolhas com liquido seroso ou sanguíneo) podem ocorrer no local da fractura
  • Hematoma desenvolve-se logo após a lesão
  • Incapacidade para caminhar. No entanto, é possível caminhar com fracturas menos graves, pelo que não se deve confiar na capacidade em andar para descartar uma fractura
  • Osso saliente sob a pele é um sinal de que é necessário atendimento médico imediato.

É essencial uma boa avaliação clínica do pé e tornozelo para ajudar no diagnóstico de uma fractura do tornozelo. Um raio-X é geralmente necessário para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão.

Tratamento

      O tratamento em fisioterapia, imediatamente após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
Compressão: um elástico pode ser usado para controlar o inchaço.
Elevação: O pé deve ser elevado um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
No período após a imobilização gessada deve ser iniciado um programa de fisioterapia para recuperação da mobilidade e força muscular. As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição:
  • Exercícios para melhorar a flexibilidade, força e equilíbrio (progredindo na quantidade de carga suportada pelo tornozelo afectado)
  • Electroestimulação neuromuscular (ENM) e neuroestimulação elétrica transcutânea (TENS)
  • A aplicação de calor antes dos exercícios para aumentar a irrigação sanguínea e de gelo no final para prevenir sinais inflamatórios.
  • Mobilização articular.
  • Educação do paciente e plano de retorno gradual à actividade.


Exercícios terapêuticos para as fracturas do tornozelo

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos após a confirmação de que as fracturas estão consolidadas. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Flexão/extensão do pé
Deitado, com o calcanhar fora da cama, puxe a ponta do pé e dedos para si, depois empurre pé e dedos para baixo.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma. 




 Extensão resistida do pé
Sentado com a perna esticada e o elástico na ponta do pé. Empurre o elástico para a frente, depois deixe o pé regressar lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.
  


 Eversão resistida do pé
Puxe a ponta do pé para si e rode a planta do pé para fora. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte os sintomas.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Gorodetskyi IG, Gorodnichenko AI, Tursin PS, Reshetnyak VK, Uskov ON. Use of noninvasive interactive neurostimulation to improve short-term recovery in patients with surgically repaired bimalleolar ankle fractures: a prospective, randomized clinical trial. J Foot Ankle Surg. 2010 Sep-Oct;49(5):432-7.
Lloyd JM, Martin R, Rajagopolan S, Zieneh N, Hartley R. An innovative and cost-effective way of managing ankle fractures prior to surgery--home therapy. Ann R Coll Surg Engl. 2010 Oct;92(7):615-8.
Small K. Ankle sprains and fractures in adults. Orthop Nurs. 2009 Nov-Dec;28(6):314-20.

5 comentários:

Sonia disse...

Dr boa noite

Sofri uma fratura bimaleolar e passei por cirurgia há 40 dias para colocação de pinos e parafuso sindesmose.Agora , esta semana tive retorno ao médico que autorizou usar robofoot e pisar de leve no chão com muleta.Acontece que não estou conseguindo encaixar meu tornozelo no fundo da bota , por que meu pé esta travado na posição equino. estou com medo de força-lo. Como fazet?

Inhacel disse...

Dia 07/12/2015 fiz cirurgia de fratura bimaleolar do tornozelo direito. Ainda em repouso sinto dor intensa e peso enorme ao colocar a perna pra baixo pra levantar. Isso é normal ou será problema da circulação sanguínea.

João Maia disse...

Caro inhacel,
Como vê no artigo existem vários tipos de fraturas no tornozelo, pelo que só o cirurgião que o acompanhou saberá que tempos de repouso deve respeitar, e deve respeita-los criteriosamente. Relativamente a dores é frequente ter alguma dor nestas situações, mas se forem em intensidade que perturbe a sua normal vida diária (perturbe o sono p.ex.) ou venham acompanhadas de sintomas inflamatórios, como calor, inchaço, vermelhidão no local da lesão deve contactar o seu médico a fim de adequar a medicação que está a tomar.
Atentamente
João Maia

João Maia disse...

Caro inhacel,
Como vê no artigo existem vários tipos de fraturas no tornozelo, pelo que só o cirurgião que o acompanhou saberá que tempos de repouso deve respeitar, e deve respeita-los criteriosamente. Relativamente a dores é frequente ter alguma dor nestas situações, mas se forem em intensidade que perturbe a sua normal vida diária (perturbe o sono p.ex.) ou venham acompanhadas de sintomas inflamatórios, como calor, inchaço, vermelhidão no local da lesão deve contactar o seu médico a fim de adequar a medicação que está a tomar.
Atentamente
João Maia

Laurianoediandro Lauriano disse...

Fraturei o fémur e estou com dificuldades de dobrar a perna, oque faço?

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