sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Escoliose


A coluna vertebral como um todo deve estar alinhada na vertical. Normalmente, quando olhar para alguém de lado, verá três ligeiras curvas - uma no pescoço, uma no tórax e uma na região lombar. Se olhar para essa pessoa de costas a coluna não deve apresentar qualquer curvatura. Se a coluna apresentar uma curvatura para o lado, esta será chamada de escoliose.
Essa curvatura poderá orientar-se para a direita ou para a esquerda e variar em gravidade desde muito leve e quase imperceptível a grave.
A escoliose poderá localizar-se na parte inferior da coluna (a curva lombar), na parte média da coluna (a curva torácica) ou ir desde a parte inferior à superior (a curva toracolombar). Em alguns casos para além da curvatura primária existe outra que é normalmente adquirida como forma de compensação, e faz com que o conjunto apresente uma forma de S.
Estas curvaturas poderão ser classificadas em:
  • Escoliose funcional ou postural: a coluna é estruturalmente normal, mas parece curvada por causa de outra disfunção, como diferença no comprimento das pernas, ou espasmos musculares nos músculos das costas. A curva é geralmente leve e muda ou desaparece quando a pessoa se inclina para os lados ou para a frente.
  • Escoliose estrutural: Nestes casos, a curvatura é fixa e não desaparece quando a pessoa muda de posição. Existem diferentes tipos:
  • Idiopática. Isto significa que a causa não é conhecida. Mais de 8 em cada 10 casos de escoliose são idiopáticos.
  • Neuromusculares. Isto significa que a curvatura é causada por uma condição que afecta os músculos e nervos das costas. Por exemplo, pode ocorrer em alguns casos de distrofia muscular, poliomielite, paralisia cerebral, ou neurofibromatose. Cada uma dessas condições tem outros sintomas e problemas, para além da escoliose.
  • Lombar degenerativa. Resultado da degeneração assimétrica da coluna vertebral.
  • Congénita. Isto significa que a coluna não formou correctamente durante o desenvolvimento do bebé no útero.

A escoliose idiopática é sem dúvida a mais frequente e pode ocorrer em qualquer fase da infância. Não se sabe como ou por que ela se desenvolve. Não é devido à má postura e estudos demonstram que o seu aparecimento não poderá ser evitado. É mais comum durante as fases de crescimento mais rápido, na adolescência, entre os 10-12 para as raparigas e os 11-16 para os rapazes. Cerca de 1 em cada 40 crianças têm algum grau de escoliose. A escoliose leve afecta em igual número rapazes e raparigas. No entanto, a escoliose moderada ou grave, é mais comum em raparigas.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

Na maioria dos casos o aparecimento da escoliose é gradual e indolor.
A escoliose pode causar dor leve e desequilíbrio muscular. Se a escoliose se torna mais severa, pode provocar alterações mais visíveis. Isto ocorre quando a coluna vertebral sofre uma curvatura acentuada para o lado, puxando as inserções musculares, ligamentares e das costelas, fazendo com que:
  • Se a escoliose for na região torácica, as costelas e omoplata formam uma protuberância num dos lados das costas.
  • Se a escoliose for na região lombar, provoca uma rotação anterior da pélvis e pode parecer que uma perna é maior que outra.
  • Se a escoliose se tornar grave e não for tratada, pode causar problemas como por exemplo, dor persistente nas costas e pode desencadear problemas respiratórios ou cardíacos se a deformidade na região torácica for muito grave.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica, exame da coluna vertebral e exame neurológico são necessários para ajudar ao diagnóstico de uma escoliose. A escoliose é geralmente perceptível quando se abaixa, notando-se que um dos lados do tronco fica mais elevado que o outro. No entanto, muitas vezes uma escoliose de grau leve a moderado pode desenvolver-se sem ser percebida pela criança ou pelos pais. Isso prende-se com o facto de se desenvolver durante a adolescência, em que as crianças se tornam mais auto-conscientes e é mais raro os pais observarem a criança sem roupa, de forma a poder identificar o problema.
A confirmação do diagnóstico pode ser feita através de um raio-X à coluna que irá permitir medir o grau de curvatura.

Tratamento

A escolha do tratamento irá depender de factores como a idade da pessoa, se está em fase de crescimento, a gravidade da curvatura, a localização exacta da escoliose e a probabilidade de que ela vir a agravar.
Para as escolioses leves a moderadas, o objectivo do tratamento é impedir o agravamento da curvatura. Para escolioses mais graves o tratamento indicado é a cirurgia para estabilizar a coluna vertebral. As opções de tratamento incluem:
Acompanhamento e exercícios específicos:
A maioria das escolioses de grau leve não precisa de tratamento. No entanto, um médico ortopedista poderá fazer revisões periódicas para se certificar de que a escoliose não piora ao longo do tempo. Poderá também aconselhar exercícios específicos para cada caso (dando a indicação ao fisioterapeuta do ângulo e localização exactos da curvatura).
Na elaboração do plano de exercícios é importante ter em conta:
  • A escoliose é um problema de assimetria. Para restaurar a simetria é necessário o uso de exercícios assimétricos em conjunto com o suporte adequado.
  • Alongamento dos músculos retraídos é desejável, mas a flexibilidade global da coluna vertebral não o será.
  • É melhor ter rigidez na melhor posição possível do que ter muita flexibilidade das costas.
  • Uma má avaliação ou um plano de exercícios mal estruturado irá provocar um agravamento do desequilíbrio muscular e consequentemente um aumento da instabilidade da coluna, pelo que os exercícios deverão sempre ser orientados por um fisioterapeuta.

Meios de suporte vertebral:
Hoje em dia existem vários materiais que oferecem maior versatilidade e facilidade de manuseio, no entanto, os princípios básicos para o uso de suportes vertebrais permanecem com poucas alterações: Obter o melhor alinhamento possível; permitir a expansão na área de concavidade, aplicar pressão na área de convexidade conforme tolerado, sem provocar efeitos adversos ou desconforto. Os coletes utilizados têm efeito sobretudo a evitar o agravamento da curvatura durante o crescimento da criança e pouco efeito correctivo.
Existem dois tipos principais de aparelhos. Os feitos por medida e os feitos a partir de um molde pré-fabricado. Ambos devem ser seleccionados para cada paciente em específico. Para ter o efeito pretendido, os coletes devem ser usados todos os dias pelo número de horas prescrito pelo médico até a criança parar de crescer.
Colete Milwaukee - Os pacientes podem usar este colete para corrigir qualquer curvatura na coluna vertebral. Este colete inclui um suporte no pescoço.
Órtese Toracolumbosacral (TLSO) - Os pacientes podem usar esta cinta para corrigir curvaturas cujo ápice é está abaixo da oitava vértebra torácica.
Cirurgia
Existem vários tipos diferentes de operação realizada para corrigir a escoliose. A operação é feita com o objectivo de corrigir a curvatura e estabilizar a coluna. Isto é feito através da união de duas ou mais vértebras e do implante de varas metálicas para manter o correcto alinhamento da coluna após a cirurgia. Este tipo de intervenções envolve vários meses de recuperação.

Exercícios terapêuticos para as escolioses lombares

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma escoliose lombar. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Rotação do tronco
Sentado, com os pés apoiados. Cruze as mãos sobre o peito e rode gradualmente o tronco mantendo as costas alinhadas. Repita o movimento para o outro lado.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Extensão da coluna lombar.
Deitado, com as palmas das mãos apoiadas ao nível dos ombros. Estique progressivamente os braços, olhando em frente. Mantenha a bacia assente no chão. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Extensão da coluna vertebral
De joelhos, com as mãos alinhada ao mesmo nível dos ombros. Lentamente, levante um braço, e de seguida a perna do lado contrário. Mantenha perna, coluna e braços alinhados. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Weiss HR. Spinal deformities rehabilitation - state of the art review. Scoliosis. 2010;5:28.

5 comentários:

Adriana Aparecida dos Santos disse...

Muito esclarecedora essa página.Até para mim, que sou leiga,lê-la trouxe-me um pouco de "luz".Saí da zona de pânico na qual fui inserida ao receber o diagnóstico de escoliose para meu pequeno de 7 anos.

Unknown disse...

Tenho escoliose grau 11 e estou com 15 anos.
Faço RPG com fisioterapeuta uma vez por semana. Esta frequência é adequada ou eu deveria realizar mais vezes pode semana? Qual a frequência ideal?
Obrigada.

xHeead disse...

tenho 64 graus de escoliose e tenho dificuldade respiratória, estou aguardando por uma cirurgia :/

edite oliveira disse...

exercícios muito explícitos e que eu sei fazerem mesmo bem, pois são exercícios posturais que se fazem no yoga. Obrigada.

Igor Trevisan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

Enviar um comentário