sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Fraturas do fémur


O fémur é o maior e mais forte osso do corpo humano.
As fracturas do fémur são comuns e geralmente afectam o colo do fémur, o corpo (ou diáfise) do fémur ou a extremidade distal do fémur (ou supracondiliana).
As fracturas do colo do fémur localizam-se próximo da articulação da anca e são mais comuns em idosos. A grande incidência de osteoporose nesta população faz com que pequenas quedas durante a marcha ou nas actividades do dia-a-dia possam causar uma fractura. Em alguns casos de osteoporose mais avançada poderá nem haver história de queda, sendo que o paciente irá queixar-se de dor na anca que pode irradiar para o joelho, rapidamente deixará de conseguir caminhar e poderá reparar que a perna afectada estará mais curta, e rodada para fora.
Se o raio-X não for conclusivo, uma RM poderá ser feita para avaliar a estrutura do osso. Uma das possíveis complicações destas fracturas tem a ver com a interrupção de irrigação sanguínea para o osso, podendo ocorrer necrose avascular da cabeça do fémur.
As fracturas da diáfise do fémur são mais frequentes em adolescentes e adultos jovens, e geralmente são causadas por um traumatismo violento, como num acidente de viação ou queda de um lugar alto. Nestes casos a fractura poderá estar associada a lesões potencialmente fatais de outros sistemas do corpo, e o paciente poderá não estar consciente, pelo que é fundamental chamar de imediato a emergência médica. Poderá reparar que a perna afectada estará deformada, e rodada para fora.
Muitas vezes o facto de existir um significativo derrame pode não permitir ver todas as lesões no osso, no entanto prioridade é dada à estabilização do doente. As complicações tardias deste tipo de fracturas incluem:
  • Embolia gorda
  • Trombose venosa profunda
  • Embolia pulmonar
  • Infecção, 
  • Cicatrização em encurtamento ou angulação.

As fracturas supracondilianas localizam-se no terço distal do fémur e geralmente envolvem a articulação do joelho. Ocorrem como resultado de traumatismo violento, e numa grande percentagem delas são fracturas cominutivas intra-articulares. Durante o seu manuseamento é necessário dar atenção especial à artéria poplítea, que passa atrás do joelho e poderá estar afectada.

Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor
  • Incapacidade de mover a perna
  • Deformidade visível
  • Inchaço
  • A coxa lesada poderá parecer mais curta pois os fortes músculos da coxa podem traccionar as extremidades da fractura, causando o desalinhamento dos topos ósseos.

O médico irá examinar as lesões e avaliar os sistemas circulatório e nervoso, bem como a fractura. Vários raio-X podem ser necessários, incluindo raio-X da perna, joelho, anca e pélvis, para determinar a extensão da lesão e a afecção das articulações adjacentes.

Tratamento

                Fracturas do colo do fémur
Se a fractura ocorrer dentro da cápsula articular da anca deve ser feita fixação interna se a fractura mantiver o alinhamento dos topos ósseos. A prótese da anca pode ser considerada para os pacientes idosos e menos aptos. Nas fracturas com desalinhamento dos topos ósseos poderá optar-se em pacientes mais jovens pelo realinhamento da fractura por manipulação cuidadosa sob anestesia e posterior fixação interna, ou pela substituição da cabeça do fémur por uma prótese, em pacientes idosos e menos aptos. A fixação interna é menos invasiva e provoca um menor trauma operatório, no entanto existe um risco maior de ser necessária nova cirurgia. 
Os pacientes que apresentem doença da articulação prévia à fractura, sejam bastante activos e tenham uma expectativa de vida razoável, devem ser indicados para colocação de prótese total da anca, em vez da substituição de apenas um dos componentes da articulação.
Se a fractura ocorrer no colo do fémur, mas fora da cápsula articular, deve ser realizada a fixação interna. Nestes casos o resultado final é semelhante tanto para o tratamento conservador como para o tratamento cirúrgico, no entanto, neste último a estadia no hospital e o tempo de recuperação são mais curtos.

Fracturas da diáfise do fémur
Uma haste intramedular poderá ser utilizada para fixar os fragmentos ósseos, principalmente se as linhas de crescimento ósseo já tiverem fechado. No caso das crianças é utilizada uma tala gessada ou fixação externa com imobilização.

Fracturas supracondilianas
Inicialmente, o mesmo que para as fracturas da diáfise do fémur, no entanto, como o bloqueio do nervo femoral não é tão eficaz, é necessária analgesia adicional.
Nas fracturas não desalinhadas muitas vezes o tratamento é conservador, através de tracção esquelética com o joelho a 30° de flexão. As fracturas intra-articulares deslocadas requerem fixação interna.
À excepção da prótese da anca, todas estas intervenções médicas são seguidas de um período de imobilização que não deverá ser inferior a 4 semanas. Após este período deve ser iniciado um programa de fisioterapia. As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição:
  • Exercícios para melhorar a flexibilidade, força e equilíbrio (incluindo exercícios em carga)
  • A aplicação de calor antes dos exercícios para aumentar a irrigação sanguínea e de gelo no final para prevenir sinais inflamatórios.
  • Mobilização articular.
  • Educação do paciente e plano de retorno gradual à actividade.
  • Massagem de mobilização dos tecidos moles.


Exercícios terapêuticos para as fracturas do fémur

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos após a confirmação de que a fractura está consolidada. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.




Mobilização do membro inferior
Deitado, com o fundo das costas apoiado no chão. Tente chegar o joelho o mais próximo do peito possível. Desça lentamente a perna para a posição inicial.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Fortalecimento do quadricípite
Deitado, com o fundo das costas apoiado no chão. Tente levantar a perna a direito, o mais alto que conseguir. Desça lentamente a perna para a posição inicial.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 






Fortalecimento dos quadricípites
Em pé, com a região lombar apoiada na bola e os pés ligeiramente afastados. Dobre os joelhos, mantendo as costas alinhadas. Suba lentamente para a posição inicial.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Loizou CL, McNamara I, Ahmed K, Pryor GA, Parker MJ. Classification of subtrochanteric femoral fractures. Injury. 2010 Jul;41(7):739-45.
Cary DV. Management of traumatic femoral shaft fractures. JAAPA. 2005 Feb;18(2):50-1.
Mak JC, Cameron ID, March LM. Evidence-based guidelines for the management of hip fractures in older persons: an update. Med J Aust. 2010 Jan 4;192(1):37-41.

19 comentários:

Paulo h h disse...

Boa tarde espero que possa tirar essa duvida que vem me matando..
Dia 09/01/15 sofri acidente de moto e tive uma fratura da diáfise do fêmur esquerdo fiz cirurgia e coloquei haste intramedular bloqueada, até então tudo certo.
Ai que vem o problema pode ate ser um pouco constrangedor..
Eu estou com pouca sensibilidade na glande, e nos meus joelhos também, eu toco a pele e sinto que esta dormente, consigo sentir un pouco mais não está normal, assim acontece também com a glande ( que é minha grande preocupacao ) ela não esta totalmente amortecida mais está sem sensibilidade toco o dedo e não sinto muito bem isso me preucupa, o que pode ser? O trauma do acidente ? Volta ao normal, já teve algum caso parecido? Desde já meus agradecimentos.

Paulo h h disse...

Boa tarde espero que possa tirar essa duvida que vem me matando..
Dia 09/01/15 sofri acidente de moto e tive uma fratura da diáfise do fêmur esquerdo fiz cirurgia e coloquei haste intramedular bloqueada, até então tudo certo.
Ai que vem o problema pode ate ser um pouco constrangedor..
Eu estou com pouca sensibilidade na glande, e nos meus joelhos também, eu toco a pele e sinto que esta dormente, consigo sentir un pouco mais não está normal, assim acontece também com a glande ( que é minha grande preocupacao ) ela não esta totalmente amortecida mais está sem sensibilidade toco o dedo e não sinto muito bem isso me preucupa, o que pode ser? O trauma do acidente ? Volta ao normal, já teve algum caso parecido? Desde já meus agradecimentos.

João Maia disse...

Boa tarde,

Nesse caso deve consultar o seu médico assistente para fazer a avaliação clínica necessária de forma a perceber qual a origem do seu problema, sendo que não é muito frequente este tipo de fracturas dar sintomas nos genitais.

Atentamente

João Maia

Kila Minaj disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kila Minaj disse...

Olá... Boa noite Dr. eu tive um acidente de viação no dia 08/08/2014 e fraturei o Fémur das duas pernas, mas até agora não consigo andar devidamente, os meus joelhos não dobram e desde q comecei a marcar alguns passos, sinto muita dor no Joelho e nas lateiras do fémur,

quero saber quais são os cuidados e movimentos que devo seguir durante este período...

espero que me entendas, porque sou Angolano..
passe bem.....
Obrigado..

João Maia disse...

Pode começar por tentar fazer os exercícios acima descritos, e procurar ajuda de um fisioterapeuta.

Atentamente

João Maia

Beatriz Andrade disse...

Boa noite. Minha vó, de 82 sofreu uma fratura de fémur, mas indicaram esperar um mês para ver a real necessidade de cirurgia. Por enquanto ela está de repouso absoluto na cama e com remédios para dores. Essa espera é possível ou foi uma medida do sistema público porque nessa cidade(interior de AL) não se pode fazer cirurgia e ela teria que ir para cidade equipada mais próxima ou está dentro dos padrões? Porque pelo que li, todos os casos há necessariamente a necessidade de cirurgia...

Hamilton Tourinho disse...

Sofri fratura supracondiliana em fevereiro deste ano, fui a mesa de cirurgia 40 dias após a lesão, onde recebi uma haste fixa e encontro-me atualmente com 3 cm a menos no comprimento da perna operada alem de um arqueamento desigual em relação ao outro membro. Não consigo dobrar a perna em mais de 40° , e segundo o meu fisioterapeuta, nada mais pode ser feito para ganho de arco. Ao tentar dobrar a perna além do angulo citado, sinto como se houvesse um esbarro natural a limitar o movimento.....Ficarei muitíssimo agradecido se me for passada alguma orientação.

João Maia disse...

Caro Hamilton,

Como deve compreender a minha opinião está limitada pela distância que nos separa. No entanto, atendendo a que o profissional que o acompanha na reabilitação física não tem prognóstico de conseguir mais progressos, penso que deve dirigir-se ao ortopedista que o operou e perceber se a situação está dentro do prognóstico que ele deu antes da cirurgia ou se existe mais alguma coisa que ele possa fazer pelo seu caso.
As melhoras. Atentamente

João Maia

Leo Vinicius disse...

Oi Eu perdi a cartilagem do fêmur quais são os exercícios para mim voltar a andar?!

viviane souza pereira disse...

oi drº meu nome é DEnis e no ultimo dia 22/12 fiz uma cirurgia do femur e ate agora nao tenho controle dos meus movimentos nao consigo mover a perna so mecho os dedos do pe e sinto mta dor no joelho e no quadril

viviane souza pereira disse...

o que devo fazer estarei indo ao ortopedista agora dia 12/01

viviane souza pereira disse...

o que devo fazer estarei indo ao ortopedista agora dia 12/01

Sisi Morena Morena disse...

boa tarde. Eu havia sofrido fraturação no femur em 2008 quando tinha 12 anos de idade ao jogar futebol... no hospital ao tirar o raio-x constatou-se que o osso estava torto e separado. depois de ter consultado o fisioteraupeta e fazer as massagens, já depois de 1 ano. e ao fazer de novo o raio-x constatou-se de novo que o osso estava no mesmo estado que se encontrava, feito as massagens, avia desistido por questão financeira; até hoje permanece na mesma. e dei conta que o membro era mais pequeno que o outro,tal como a coxa. e continuo até hoje nesta situação já com 19 anos...



e agora não sei o que fazer consoante a este problema!

O QUE FAÇO SENHOR DOTOR?

Sisi Morena Morena disse...

boa tarde. Eu havia sofrido fraturação no femur em 2008 quando tinha 12 anos de idade ao jogar futebol... no hospital ao tirar o raio-x constatou-se que o osso estava torto e separado. depois de ter consultado o fisioteraupeta e fazer as massagens, já depois de 1 ano. e ao fazer de novo o raio-x constatou-se de novo que o osso estava no mesmo estado que se encontrava, feito as massagens, avia desistido por questão financeira; até hoje permanece na mesma. e dei conta que o membro era mais pequeno que o outro,tal como a coxa. e continuo até hoje nesta situação já com 19 anos...



e agora não sei o que fazer consoante a este problema!

O QUE FAÇO SENHOR DOTOR?

Paulo Alberto disse...

Oi doctor tive um acidente em Julho de 2015 fratura no fremur e fui operado mas até agora começo a notar que uma perna esta a ser mais curta que a outra o que fãs só para pelo menos crescer mais um pouco

CHEGA DE TEORIAS...VAMOS PARA À PRÁTICA! disse...

Foi feita uma cirurgia no fêmur, sendo colocado uma platina da cabeça do fêmur até o joelho, com sete parafusos. Não sinto dor no fêmur, mas sinto bastante dor no joelho e no músculo da coxa, não me deixando correr e sendo muito desconforto ficar agaixado. Na ressonância não aparece nada no joelho e o médico não sabe explicar o porquê dessa dor. Tenho 40 anos e semprefui muito ativo fisicamente. Se puderem me ajudar a entender e melhorar eu aagradeço. MAURO CASSEMIRO EGER

fmmm disse...

Boa noite!
A minha sogra efetuou uma cirurgia há um mês a uma fratura do colo do femur. Hoje voltou a cair e fraturou mais abaixo onde a prótese estava suportada. Ela tem 82 anos e a filha está muito preocupada. Quais as expetativas de recuperação?

fmmm disse...

Boa noite!
A minha sogra efetuou uma cirurgia há um mês a uma fratura do colo do femur. Hoje voltou a cair e fraturou mais abaixo onde a prótese estava suportada. Ela tem 82 anos e a filha está muito preocupada. Quais as expetativas de recuperação?

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