sábado, 27 de outubro de 2012

Contracturas musculares e dor miofascial

Distribuição de pontos dolorosos por frequência
Cerca de 50% do nosso peso corporal é constituído por tecido muscular, que está dividido em 400 músculos diferentes. Envolvendo e interligando todos esses músculos existe a fáscia muscular (uma fina camada de tecido conjuntivo). Portanto as contracturas musculares e a dor miofascial são disfunções comuns, que afectam a fáscia e podem afectar um único músculo ou um grupo muscular inteiro.
A dor miofascial surge devido à formação destes pontos dolorosos (pontos específicos localizados no músculo que se assemelham a um nódulo e que são extremamente sensíveis à palpação). Estes pontos, muitas vezes chamados pontos-gatilho consistem na contracção involuntária e permanente de algumas fibras de um feixe muscular, o que pode dar dor no próprio local ou dor referida noutra parte do músculo, devido à tensão excessiva aplicada sobre a fáscia muscular que recobre esse músculo.
A razão para o aparecimento desses pontos-gatilho ainda não é totalmente conhecida, mas sabe-se que alguns factores, como:
  • O stress psicológico
  • A falta de flexibilidade
  • A rigidez muscular
  • A má postura 
  • A fadiga generalizada

 aumentam a probabilidade de desenvolver um ponto-gatilho doloroso.
Embora alguns dos pontos-gatilho típicos na dor miofascial sejam os mesmos da fibromialgia, estas são duas entidades diferentes; a fibromialgia é um problema de dor generalizada crónica, não uma condição regional causada pelo surgimento de pontos gatilho específicos.
       Algumas das áreas mais comuns para desenvolver pontos-gatilho incluem: 

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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • Dor e tensão localizadas num ponto muito específico do músculo, que agravam à palpação.
  • A presença de um nódulo muscular perceptível à palpação
  • A dor pode irradiar, principalmente quando o ponto-gatilho é pressionado
  • Limitação da amplitude de movimento e força muscular por dor

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do tecido muscular são geralmente suficientes para diagnosticar a dor miofascial e identificar os pontos-gatilho. No entanto, é importante notar que esta condição normalmente surge na sequência de outras patologias ou disfunções, pelo que a identificação e tratamento dessa causa subjacente da dor miofascial é essencial para garantir uma reabilitação óptima, com risco reduzido de recidivas.
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Tratamento

                A maioria dos pacientes com esta condição reage bem ao tratamento com fisioterapia. O primeiro objectivo do tratamento será identificar e tratar a patologia que está a causar o aumento da tensão miofascial e consequente formação de pontos-gatilho. Assim, poderão ser utilizadas:
  • Técnicas de correcção de desequilíbrios musculares, de fortalecimento e alongamento (como PNF e RPG)
  • Correcção de más posturas e reeducação postural activa, através de RPG.
  • Avaliação do padrão de marcha e aconselhamento sobre palmilhas de compensação para correcção de dismetrias ou de alterações morfológicas do tornozelo e pé.
  • Muitas vezes estas alterações são suficientes e não chega a ser necessário o trabalho directo sobre o músculo, no entanto, quando o é, poderão ser utilizadas as seguintes técnicas:
  • Ionização e aplicação de ultra-som
  • Massagem e mobilização dos tecidos afectados e a toda a extensão da fáscia
  • Alongamentos localizados dos músculos afectados
  • Estimulação eléctrica neuro-muscular, que terá melhores resultados se aplicada com um sistema de biofeedback.
  • A acupunctura poderá ser benéfica no alívio da dor localizada


Exercícios terapêuticos para a dor miofascial

Os seguintes exercícios poderão ser prescritos durante a reabilitação de dor miofascial, dependendo do músculo/grupo muscular afectado. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Alongamento activo dos isquio-tibiais
Em pé, com o calcanhar apoiado numa mesa e as costas alinhadas. Faça pressão sobre o joelho e incline o tronco ligeiramente à frente. Mantenha a posição durante 20 segundos.
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Alongamento do grande glúteo
Coloque-se apoiado nos cotovelos e joelhos. Avance o joelho da perna a alongar na direcção do ombro do lado contrário, o pé fica virado para dentro. Aproxime o mais possível o joelho do peito. Mantenha a posição durante 20 segundos
Repita entre 5 a 10 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 

Correcção postural da cervical e ombros
Em pé ou sentado, rode os ombros para trás e para baixo, enterre o queixo e imagine que tem uma linha a puxar-lhe o topo da cabeça. Mantenha esta posição durante 20 segundos.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.

Lavelle ED, Lavelle W, Smith HS. Myofascial trigger points. Anesthesiol Clin. 2007 Dec;25(4):841-51, vii-iii.
Tough EA, White AR, Cummings TM, Richards SH, Campbell JL. Acupuncture and dry needling in the management of myofascial trigger point pain: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. Eur J Pain. 2009 Jan;13(1):3-10.

1 comentário:

Veronica Born disse...

Nossa...tenho dor miofascial em todo o corpo...tenho nódulos até na mandíbula, perto do queixo. Estou na décima sessão de fisioterapia e quase nenhuma diferença. São muitos nódulos, é um do lado do outro e assim desde sempre. Tem que ter muita coragem pra viver assim e não tem cura. O que pode acontecer é melhorar uma área, mas daí sempre piora outra logo depois...triste :(

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