terça-feira, 2 de outubro de 2012

Doença de Parkinson

A doença de Parkinson (DP) é uma lesão (persistente) crónica de uma parte do cérebro, e afecta principalmente a maneira como o cérebro coordena a acção dos músculos nas várias partes do corpo.
Uma pequena parte do cérebro, chamada substância negra, é a mais afectada nesta doença. Esta área do cérebro está envolvida no envio de mensagens, para os nervos na medula espinhal, responsáveis por controlar os músculos do corpo. Para circularem, estas mensagens necessitam de substâncias químicas chamadas neurotransmissores. A dopamina é um desses neurotransmissores e é produzida sobretudo pelos neurónios da substância negra.
Nas pessoas com DP o número de células da substância negra diminui progressiva e irreparavelmente, sem que haja para já uma causa conhecida. Como o número de células diminui, a quantidade de dopamina que é produzida também é reduzida. Esta combinação faz com que as mensagens nervosas para os músculos se tornem cada vez mais lentas e desorganizadas.
A DP desenvolve-se principalmente em pessoas com mais de 50 anos, e tornase mais comum com o avanço da idade. Cerca de 5 em cada 1000 pessoas com 60 anos, e cerca de 40 em cada 1000 pessoas com 80 anos sofre de DP. Afecta homens e mulheres, mas é um pouco mais comum em homens. Raramente, se desenvolve em pessoas com menos de 50 anos. A DP não é geralmente hereditária, e pode afectar qualquer pessoa. No entanto, factores genéticos (hereditários) podem ser importante no pequeno número de pessoas que desenvolvem a doença antes dos 50 anos.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

As células do cérebro e os nervos afectados na DP são responsáveis por produzir movimentos suaves e coordenados dos músculos. Portanto, quatro sintomas comuns que se desenvolvem gradualmente são:
  • Lentidão de movimentos (bradicinesia). Por exemplo, pode tornar-se um desafio andar ou se levantar de uma cadeira. Quando este sintoma se desenvolve pode ser atribuído ao avançar da idade, e o diagnóstico da DP pode não ser evidente até ao aparecimento de outros sintomas.
  • Com o tempo, desenvolve-se um padrão de marcha característico. A pessoa com DP anda mais “curvada” e tem alguma dificuldade em iniciar, parar e virar.
  • A rigidez dos músculos (rigidez), e os músculos podem tornar-se mais tensos. Além disso, os braços não oscilam como normalmente acontece quando andamos.
  • Agitação (tremor) é comum, mas nem sempre ocorre. Geralmente afecta os dedos, polegares, mãos e braços, mas pode afectar outras partes do corpo. É mais perceptível quando está parado e pode piorar com a ansiedade ou alteração emocional.

Os sintomas tendem lentamente a tornar-se piores. No entanto, a velocidade a que os sintomas pioram varia de pessoa para pessoa, podendo levar vários anos até se tornarem graves o suficiente para ter um efeito visível na sua vida. Para além dos principais, outros sintomas vão-se desenvolvendo à medida que a DP progride:
  • Menos expressões faciais, como sorrir ou franzir a testa. Redução do pestanejar.
  • Dificuldade com movimentos finos, como atar os cordões dos sapatos ou abotoar a camisa.
  • Dificuldade com a escrita (escrita tende a ser menor).
  • Dificuldade de equilíbrio e postura e uma maior tendência a cair.
  • A fala pode ficar lenta e monocórdica.
  • Cansaço e dores generalizadas

Não há nenhum teste que possa provar inequivocamente que você tem DP. O diagnóstico é baseado sobretudo na avaliação clínica do médico, tendo em conta os sintomas que apresenta, daí na fase inicial da doença ser muitas vezes difícil estabelecer um diagnóstico seguro de DP.
Para além disso algumas condições podem dar as características de "parkinsonismo"- ou seja, sintomas semelhantes à DP, mas causados por outras condições. Por exemplo, algumas drogas usadas para tratar outras condições podem causar efeitos colaterais que lembram os sintomas da DP. Algumas doenças cerebrais raras também podem causar sintomas semelhantes. Portanto, é prática normal ser encaminhado para um neurologista, se há suspeita de DP, onde poderá fazer alguns testes específicos de forma a descartar outras condições clínicas.
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Tratamento

Não há cura para a DP, e nenhum tratamento impede a progressão da doença. No entanto, os tratamentos podem geralmente aliviar os sintomas.
Numa fase inicial, enquanto os sintomas são leves, pode não precisar de qualquer tratamento. Irá ter consultas de tempos a tempos com um médico especialista para monitorizar a progressão da doença.
A medicação que alivia os sintomas geralmente é iniciada quando estes começam a interferir com a capacidade de realizar as actividades do dia-a-dia.
Ainda não é consensual qual a melhor medicação para usar nas primeiras fases da DP, ou qual a melhor combinação de medicamentos é mais eficaz numa fase posterior. Directrizes recentes, recomendam começar com um agonista da dopamina, com a levodopa mais um inibidor da dopa-descarboxilase ou com um inibidor da monoamina oxidase. Outra medicação também é por vezes utilizada, geralmente, em combinação com uma daquelas três principais.
Fisioterapia, terapia ocupacional e terapia da fala também podem ser úteis à medida que a doença progride.
Um fisioterapeuta pode aconselhar sobre a postura, fazer uma reeducação da marcha e prescrever alguns exercícios terapêuticos.
Um terapeuta ocupacional pode aconselhar sobre as melhores adaptações para a casa, o que pode facilitar muitas tarefas.
Se houver dificuldades com a fala, deglutição ou saliva, um terapeuta da fala pode ajudar.
Um psicólogo pode ser capaz de ajudar se o paciente estiver com problemas de depressão.
A cirurgia pode ser uma opção para casos graves.
Novas técnicas cirúrgicas estão a ser desenvolvidas, podendo vir a ajudar pessoas com DP à vários anos. A cirurgia não cura a DP, mas pode ajudar a aliviar os sintomas quando a medicação não está a funcionar. Por exemplo, a estimulação cerebral profunda crónica é uma técnica que envolve a colocação de um gerador de pulsos (como um marca-passo cardíaco) na parede torácica. Cabos finos sob a pele ligam-se a eléctrodos colocados no cérebro. Os eléctrodos estimulam as partes do cérebro que são afectados pela DP e podem ajudar a aliviar os sintomas. Este é um procedimento recente e, apesar dos benefícios observados a curto prazo, os efeitos a longo prazo ainda não são consensuais.
  

Exercícios terapêuticos para a doença de Parkinson

Os seguintes exercícios poderão ser prescritos na reabilitação da doença de Parkinson, dependendo do estado evolutivo do paciente. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.


Rotação do tronco
Sentado, com os pés apoiados. Cruze as mãos sobre o peito e rode gradualmente o tronco mantendo as costas alinhadas. Repita o movimento para o outro lado.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




 Fortalecimento dos extensores da anca
Deitado, com os braços ao longo do corpo, eleve a bacia até coxas e costas ficarem alinhadas no mesmo plano. Retorne lentamente à posição inicial.
Repita entre 8 e 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.





Flexão/extensão da coluna vertebral
De joelhos, apoiado nas palmas das mãos, que estão alinhadas com os ombros. Inspire fundo, enquanto deixa a coluna arquear em direcção ao chão e roda a cabeça para a frente. Expire completamente, enquanto contrai os abdominais e enrola a coluna e pescoço.
Repita entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.




Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.
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