domingo, 28 de outubro de 2012

Ruptura dos meniscos


Cada joelho contém um menisco lateral e outro medial. Estas estruturas de tecido cartilaginoso são como almofadas grossas de “borracha” que amortecem os choques durante a marcha ou outras actividades, e também ajudam a tornar os movimentos do joelho mais suaves e a articulação mais estável.
Os meniscos são em forma de C tornam-se mais finos em direcção ao centro da articulação. Estes assentam em cima da cartilagem presente na superfície articular da tíbia.
As lesões meniscais, estão maioritariamente relacionadas com o desporto, em mecanismos lesivos que envolvem forças em torção do joelho. Quando o está apoiado e a coxa roda internamente, uma força em valgo é aplicada ao joelho, que se estiver flectido, pode causar uma ruptura do menisco medial. O contrário é válido para as lesões do menisco lateral. De acordo alguns estudos, o menisco medial é mais estável do que o menisco lateral, que é relativamente móvel, o que pode resultar numa maior incidência de lesões do menisco medial, no entanto estes resultados não são consensuais.
A ruptura do menisco também pode ocorrer sem uma lesão súbita. Em alguns casos, a lesão desenvolve-se devido a pequenas lesões da cartilagem repetidas ao longo do tempo ou a degeneração ("desgaste") da cartilagem do menisco em pessoas idosas.
Uma vez lesado o menisco não cicatriza muito bem, isto principalmente por não ter uma boa irrigação sanguínea. Isto significa que, apesar de algumas pequenas rupturas mais exteriores poderem curar com o tempo, as rupturas maiores, ou mais interiores no menisco, tendem a não curar, tendo indicação cirúrgica.
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Sinais e sintomas/ Diagnóstico

  • História de traumatismo ou torção do joelho.
  • Dor na linha articular do joelho.
  • Inchaço no joelho um período de 48 horas após o traumatismo.
  • Incapacidade para dobrar o joelho na totalidade, ou sensação de "clic" ao realizar o movimento.

Uma boa avaliação, incluindo uma história clínica e exame atento do joelho são geralmente suficientes para diagnosticar uma ruptura de meniscos. Estruturas como os meniscos não são bem visíveis no raio-X, pelo que uma RM pode ser pedida para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade da lesão.
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Tratamento

                O tratamento em fisioterapia, nas primeiras 48 a 72 horas após a lesão e enquanto o diagnóstico não está confirmado, consiste e controlar os sinais inflamatórios, através de:
  • Descanso: Evite caminhar ou estar muito tempo de pé. Se tiver de o fazer utilize canadianas. Andar a pé pode significar um agravamento da sua lesão.
  • Gelo: Aplique uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina entre o gelo e a pele. Use o gelo por 20 minutos e depois espere pelo menos 40 minutos antes de aplicar gelo novamente.
  • Compressão: um joelho elástico pode ser usado para controlar o inchaço.
  • Elevação: A perna deve ser elevada um pouco acima do nível do seu coração para reduzir o inchaço.
  • Analgésicos e anti-inflamatórios não-esteróides poderão ser receitados pelo médico para controlar o processo inflamatório e aliviar as dores.

Após este período, e com o diagnóstico confirmado, o tratamento irá depender da gravidade da lesão, idade do paciente, nível de actividade e grau de incapacidade:
Pequenas rupturas podem curar por si só, com o tempo, geralmente durante cerca de seis semanas, se for seguido um regime de descanso selectivo. Algumas rupturas, mesmo que pequenas, podem não curar, no entanto, se a dor inicial e o inchaço diminuírem, e não existirem sintomas a longo prazo, ou apenas sintomas leves ou intermitentes, a cirurgia pode não ser necessária. Nestes casos um plano de fisioterapia, direccionado para o reforço dos músculos que dão suporte ao joelho (como o quadricípite e os isquio-tibiais) deve ser seguido.
Se a ruptura causar sintomas persistentes e limitativos das tarefas do dia-a-dia, a cirurgia pode ser o tratamento mais aconselhado. Infelizmente, apenas cerca de 1 em cada 4 rupturas do menisco podem ser reparadas por via cirúrgica.
A maioria das operações é realizada por artroscopia do joelho. Neste caso a ruptura do menisco pode ser reparada e suturada ou, quando a sutura não é possível, uma pequena porção do menisco pode ser removida, em alguns casos, o menisco inteiro.
Transplantes de menisco estão a ser recentemente testados. A cartilagem do menisco em falta é substituída por tecido do doador, que é seleccionado e esterilizado em muito da mesma forma que para os tecidos de outros doadores, como nos transplantes renais.
Existe uma outra técnica em que são colocados implantes de colagénio meniscal. Os implantes são feitos numa substância natural para permitir que novas células cresçam ao seu redor, regenerando o tecido meniscal.
Após a cirurgia deverá iniciar um plano de recuperação em fisioterapia para manter a amplitude articular do joelho e reforçar os músculos que dão estabilidade à articulação.

Exercícios terapêuticos para uma ruptura de meniscos

Os seguintes exercícios são geralmente prescritos durante a reabilitação de uma ruptura nos meniscos. Deverão ser realizados 2 a 3 vezes por dia e apenas na condição de não causarem ou aumentarem os sintomas.



Flexão/extensão do joelho
Deitado, com o calcanhar apoiado no chão, puxe o pé em direcção à bacia. Retorne lentamente o pé à posição inicial.
Repita entre 15 e 30 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Alongamento da cadeia posterior
Sentado, com a perna a alongar esticada. Tente chegar com as mãos o mais abaixo possível. Mantenha essa posição por 20 segundos.
Repita entre 3 a 6 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.



Fortalecimento isométrico dos isquio-tibiais
Sentado, com o calcanhar apoiado no chão. Faça pressão em direcção ao chão e para si, sem tirar o pé da mesma posição. Mantenha a contracção por 6 segundos.
Repita esta contracção entre 8 a 12 vezes, desde que não desperte nenhum sintoma.


 Antes de iniciar estes exercícios você deve sempre aconselhar-se com o seu fisioterapeuta.


Ericsson YB, Roos EM, Dahlberg L. Muscle strength, functional performance, and self-reported outcomes four years after arthroscopic partial meniscectomy in middle-aged patients. Arthritis Rheum. 2006 Dec 15;55(6):946-52.
Epler M, Sitler M, Moyer R. Kinematics of healthy and meniscal repaired knees. Res Sports Med. 2005 Apr-Jun;13(2):91-109.


1 comentário:

Eduardo Gomes disse...

Ola eu sou o Eduardo gostei do que eu li, mas não esclareci todas as minhas dúvidas eu fiz a RM e ela revelou que tenho uma lesão mas não revela o grau da lesão nem o médico revelou.Tenho 32 anos, meu Joelho não incha mas sinto um pouco de dor depois do futebol e no 1º dia após o futebol pela manhã. Faço estes exercícios que você passou e sinto muito pouco não quero fazer cirurgia minha dúvida se ela é Grave ou não..egomesneves@bol.com.br

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